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09/04/2010 - 16h21 - Atualizado em 08/02/2012 - 22h53

Regina Helena de Paiva Ramos fala sobre seu livro "Mulheres jornalistas: a grande invasão"

Por Ana Lúcia Silva e Ayana Trad. Publicado originalmente em A Imprensa, março de 2010

A entrada das mulheres no mercado jornalístico brasileiro é tema do livro de Regina Helena de Paiva Ramos, que reúne perfis das pioneiras das décadas de 40,50 e 60

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Danilo Braga
A jornalista e escritora Regina Helena
de Paiva Ramos

No livro Mulheres jornalistas: a grande invasão, a jornalista Regina Helena de Paiva Ramos reúne perfis de mais de 50 mulheres que entraram na profissão durante as décadas de 1940, 1950 e 1960. A obra tem edição do professor Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, indicado por Tereza Cristina Vitali, diretora da mesma instituição, que prefaciou a obra.

As perfiladas foram selecionas pela memória de Regina, ativa repórter daqueles anos. Formada pela Cásper Líbero, a autora passou por publicações como O Tempo, Manchete, Fatos e Fotos, Casa e Jardim e Visão. 

A obra ainda aborda os obstáculos sociais que as mulheres tiveram de superar durante suas trajetórias. A sociedade era marcada pela discriminação de gênero e pouco valorizava mulheres dedicadas ao ramo da comunicação. A autora enfatiza a existência da dicotomia: protecionismo e preconceito. Regina foi compreender a situação com a maturidade: “Era normal as pessoas não acreditarem na possibilidade de que uma moça pudesse fazer o que a gente fazia. Quando me perguntavam, dez anos depois de ingressar na profissão, se sofri alguma discriminação, eu negava. Só com o tempo percebi o preconceito que eu sofria”. Para Regina, as atuais jornalistas possuem mais desenvoltura. Enquanto as primeiras profissionais predominavam nos cadernos sociais e nas páginas femininas, hoje as vemos em todas as áreas de atuação.

 “A Regina é uma grande contadora de histórias. Gostei muito do livro, porque, no começo, ela descreve como era ser jornalista naquela época”, comenta Carlos Costa.

O livro demorou cerca de oito anos para ser concluído. Dentre os maiores desafios estava a dificuldade de encontrar dados em jornais da época e fontes vivas para as entrevistas. “Amaior parte das jornalistas focalizadas já faleceu, e as que estavam vivas eu não encontrava”, afirma a autora.

A publicação é dedicada a Hermínio Sachetta, jornalista e dirigente comunista, que se tornou um dos maiores empregadores de mulheres na época. O livro foi lançado no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 19hs, no saguão do Teatro Gazeta.