O exame vestibular 2011 da Faculdade Cásper Líbero convida o candidato à leitura de seis obras literárias de expressão portuguesa – que variam quanto ao gênero, ao espaço e ao tempo em que foram concebidas – e à fruição de quatro narrativas audiovisuais – divididas entre a ficção e o documentário, nacionais e estrangeiros
Livros:
As obras literárias contemplam quatro narrativas em prosa (três romances e um volume de contos), uma antologia poética e uma peça de teatro, descritas a seguir.
Auto da Barca do Inferno, escrita provavelmente em 1515 por Gil Vicente (c. 1465-1536), é uma das mais famosas peças do teatro medieval português, constituindo uma representação alegórica do destino das almas humanas assim que deixam seus corpos, marcada pelo tom cômico e farsesco.
Com Memórias de um sargento de milícias, romance publicado pela primeira vez em livro, nos anos de 1854 e 1855, Manuel Antonio de Almeida (1831-1861) antecipa as ironias da literatura realista, figurando a famosa “dialética da malandragem”, identificada por Antonio Candido, que irá gerar duas filiações notórias: Macunaíma, de Mário de Andrade, e Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade.
Publicada originalmente em 1955, a antologia 50 poemas escolhidos pelo autor, de Manuel Bandeira (1886-1968) retrata a gama variada de temas e formas que a poesia do autor abordou, mesclando os registros erótico, religioso, folclórico, infantil, culto e popular.
Com Laços de família, publicado originalmente em 1960, Clarice Lispector (1920-1977) dá ao conto brasileiro uma nova dimensão estilística, investigando um mundo em que a irrupção do insólito invade o cotidiano, transformando a vida banal de homens e mulheres de classe média ou mesmo de seres marginais.
Em Dois irmãos, publicado originalmente no ano 2000, Milton Hatoum (1952) investe na tradição do “romance da memória”, narrando a história de como se constroem as relações de identidade e diferença no âmbito familiar.
Os da minha rua (2007), do escritor angolano Ondjaki (1977) reúne 22 textos curtos que oscilam entre a crônica e o conto por meio dos quais o autor se lembra da infância e da adolescência vividas em Luanda nas décadas de 1980 e 1990. Trata-se de um exercício entre a biografia e a ficção, que alia o tom intimista a uma bem conduzida perspectiva histórica.
Filmes:
As narrativas audiovisuais reúnem dois filmes de ficção e dois documentários, apresentados a seguir.
Em Rede de intrigas (Network, EUA, 1976), Sidney Lumet (1924) oferece um panorama mordaz do alto escalão de uma fictícia rede de TV, alternando os registros da comédia de crítica social e do drama.
Em Arquitetura da destruição (Architektur des untergangs, Suécia, 1992), Peter Cohen (1946) mostra que a estética nazista constituiu uma força agregadora disposta a tornar o mundo belo por meio do emprego da violência.
O bandido da luz vermelha (Brasil, 1968), de Rogério Sganzerla (1946-2004), é uma autêntica experiência de cinema marginal, por cuja lente o diretor trata do mito do herói em um país subdesenvolvido.
Em Santiago (Brasil, 2006), João Moreira Salles (1962) reflete sobre o tempo, a identidade, a memória e a própria natureza do documentário.
Observação: Cada uma dessas obras singulares irá solicitar do candidato uma análise vertical, crítica e transdisciplinar do mundo das narrativas e da comunicação e da realidade histórica que as concebeu com a qual elas estão ligadas ainda nos dias de hoje.