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26/03/2010 - 17h13 - Atualizado em 24/05/2012 - 03h25

Estadão acha obsessiva a crítica de Lula feita à imprensa



O jornal O Estado de S. Paulo, nesta sexta-feira (26), respondeu a crítica feita pelo presidente Lula, em um evento em Brasília. Lula acusou a imprensa de agir de “má fé” contra seu governo. Em editorial, o Estadão relembra que o embate entre a imprensa e os políticos é histórico e acaba classificando a declaração de Lula como “obsessão”.

“Governadores e prefeitos, ministros e secretários podem deplorar a suposta miopia do noticiário, mas reconhecem a carga inerente de tensão no seu relacionamento com o jornalismo a que eles não se subordina. Já no caso de Lula é obsessão”, comenta o editorial. O texto se refere à crítica generalizada feita por políticos quanto à suposta omissão da imprensa aos fatos do poder público que, segundo eles, mereceriam destaque.

Para justificar a qualidade atribuída ao ato de Lula, o editorial indica que “desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele está em campanha para demolir a credibilidade dos órgãos de informação”. A opinião do jornal é de que as “diabrites” do presidente, como o comentário feito em Brasília, “são uma mistura de vezo autoritário com ressentimento de classe, agravada pelo descontrole emocional diante da mera expectativa de receber críticas”.

O jornal ainda ressalta que há conflitos entre o que Lula defende e o que emprega, levando em consideração antigos depoimentos em que ele declarava a impossibilidade de chegar a disputar a Presidência da República se não fosse a liberdade de imprensa, no Brasil. “Foi ela (imprensa) quem de fato propeliu o seu nome, cobrindo passo a passo a sua trajetória, fossem quais fossem os julgamentos que pudessem fazer a seu respeito. Isso não mudou, mas o que Lula hoje entende por liberdade de imprensa é uma caricatura grotesca”.

No discurso feito sobre o programa social Territórios da Cidadania, o presidente Lula disse que “é triste quando a pessoa tem a chance de escrever a coisa certa e escreve as coisas erradas”, fazendo referência a jornalistas. O posicionamento do Estadão se quanto ao comentário é de que ele só se fundamenta quando em um regime ditatorial. “Nas democracias, as pessoas têm o direito de escrever (...) Para Lula, o certo seria a imprensa dizer que o PAC é uma maravilha. O errado, informar que apenas 11% de suas obras foram concluídas e 54% não saíram do papel”.

Para arrematar a crítica ao presidente, o jornal se apropria da usual citação de Lula: “(...) nunca antes neste país, em regime democrático, um presidente havia manifestado tanto ódio pela imprensa livre”.

Com informações do Portal Imprensa