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02/03/2012 - 17h37 - Atualizado em 16/06/2013 - 07h49

No escuro, Paulo André lança livro polêmico

Yohana Scaranare, 2º ano de jornalismo

Através de sua autobiografia o zagueiro do Corinthians faz revelações sobre o mundo do futebol

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Yohana Scaranare

Paulo André e Ronaldo, que causou tumulto
com sua chegada, posam para fotos

O primeiro dia do mês de março mudou a rotina dos jogadores do time do Parque São Jorge e da imprensa esportiva. Longe dos gramados, o zagueiro corintiano Paulo André lançou seu livro “O Jogo da Minha vida – histórias e reflexões de um atleta”, da editora Leya, na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista. Marcada para as 19 horas, a sessão foi aberta ao público, mas o atleta recebeu, uma hora antes, toda a imprensa. Se seu livro relata que a vida no futebol não é tão fácil quanto parece, ontem ele provou isso: assim que colocou os pés na livraria as luzes do shopping se apagaram num blecaute total, mas isso não foi motivo para que o evento fosse adiado. Apenas com as fracas luzes do gerador e das câmeras de filmagem o jogador deu mais detalhes sobre a obra que, através de sua biografia, faz críticas e denúncias sobre o mundo do futebol.
Apesar da boa vontade do boleiro em trabalhar até no escuro, a sessão de autógrafos foi transferida para o piso superior do shopping, onde a luz já estava restabelecida. Pensando na facilidade dos clientes, a organização do evento teve trabalho para controlar o grande número de fãs presentes e a imprensa. E o que já estava difícil piorou: famosos como os jornalistas esportivos Mauro Beting e Juca Kfouri, a ex-jogadora de basquete Hortência, os ex-jogadores de futebol William e Edu Gaspar além dos companheiros de elenco Alessandro, Emerson Sheik, Fábio Santos e Leandro Castán fizeram com que os seguranças trabalhassem muito.
Quando tudo parecia se acalmar, já depois das 21 horas, a chegada de Adriano, também companheiro de time, fez com que os fãs ficassem eufóricos. O atacante apenas entrou, cumprimentou Paulo André, posou para as fotos e saiu sem falar com a imprensa. Alguns minutos depois, repetindo o procedimento do Imperador, o ex-jogador Ronaldo fez com que a área delimitada para jogadores e convidados fosse invadida pela imprensa e, em pouco tempo, o Fenômeno saiu cercado por seguranças.

Além do futebol

Paulo André nasceu em Campinas, interior de São Paulo, mas logo aos 14 anos deixou a família pra trás, quando foi morar no Centro de Treinamento do São Paulo Futebol Clube, localizado em Cotia. A partir daí o jogador passou por muitas dificuldades, encontrou pessoas com más intenções e conta detalhadamente a relação com dirigentes, empresários e a pressão que os garotos sofrem para se tornarem profissionais. O atleta revela que pensou em desistir muitas vezes e quando se deu conta da realidade dessa área resolveu estudar. No clube desde 2009, hoje é conhecido como intelectual do Parque São Jorge, pois gosta de ler, pintar, jogar xadrez, além de outras atividades pouco comuns entre os jogadores de futebol.
O zagueiro é crítico das excessivas concentrações e foi onde escreveu a maior parte da inédita obra – nenhum jogador ainda em atividade escreveu um livro. Além de manter uma instituição – o Instituto Paulo André – que ajuda jovens atletas e fazer a mediação entre jogadores e o Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo, desde 2010 mantém um blog para discutir assuntos relacionados à política do futebol e a situação do esporte no Brasil. Dividido em três partes – Futebol amador, Futebol profissional e Reflexões – o livro conta com depoimentos de atletas de diferentes modalidades do esporte brasileiro, além de treinadores e jornalistas.
Questionado sobre precisar se censurar, Paulo André diz que tem consciência de não falar mais do que pode: “Depois do blog eu comecei aprender a me censurar um pouco mais, a evitar expor algumas situações que poderiam ser polêmicas, principalmente comentar coisas internas do Corinthians. No meu momento atual, trabalho no clube e tenho que manter as aparências, manter um certo respeito com todos que estão lá dentro.”
A preocupação do jogador não fica só no papel; Paulo André deixa claro que após se aposentar tem a intenção de conseguir um cargo de gerência em um clube ou até mesmo em instituições como a CBF. “Eu foco bastante nessa questão no livro, não só na formação de jogadores, mas principalmente na formação de novos treinadores para que nós tenhamos melhoria na qualidade do jogador principalmente do individuo que muitas vezes é deixado de lado dentro dos clubes. Acredito que a vida vá me levar para algum cargo da política do esporte ou diretivo dentro do clube. Ainda não defini, mas tenho algum tempo pra isso.”