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19/01/2012 - 05h35 - Atualizado em 22/05/2012 - 19h10

Entrevista exclusiva com Charlie Bragale, produtor executivo da NBC

Gustavo Nárlir, editor do site

O jornalista comentou o trabalho desenvolvido com os alunos da Faculdade Cásper Líbero no 10º Workshop de Telejornalismo

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Norberto Ioavasso/CECL
Charlie e sua equipe estiveram presentes na 19ª Semana
de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero

Filho de brasileiros, Charlie Bragale comanda atualmente a equipe de jornalismo da emissora norte-americana NBC e é responsável pela produção executiva dos telejornais. Durante a cobertura da Semana de Jornalismo que aconteceu em outubro do ano passado, ele concedeu uma entrevista para o site para falar sobre a experiência com os alunos.

Na sua opinião, quais foram os pontos positivos da última edição do Workshop de Telejornalismo entre a Faculdade Cásper Líbero e a NBC?

Cada trabalho é uma experiência diferente de profissionalismo. Todos são ótimos e se divertem muito. Ao longo do workshop, nós [equipe da NBC] tentamos ensinar aos alunos todos os estilos de jornalismo. E nós damos a oportunidade de compartilhar histórias, de que eles sejam criativos e possam escolher as matérias certas. No fim, nós acabamos ficando envolvidos com esse time de estudantes. A cultura deles é tão grande, já que eles estão preparados e não têm medo de fazer perguntas. E isso me diverte e sinto que não estou trabalhando. Porque eu atuo com muitos profissionais e eu faço muita coisa com eles durante estes dois dias de workshop. Reportagens podem dar errado, as coisas podem não ser do jeito que se prevê, mas, se não funciona, eles têm que aprender a olhar para os problemas ao redor e resolvê-los. Quando começamos a trabalhar com a equipe, cada um ficou encarregado de um trabalho para solucionar esses problemas, finalizarem o telejornal juntos e colocarem na televisão. 

Você acha que esses estudantes brasileiros podem futuramente trabalhar na NBC ou em outros canais norte-americanos?

Claro. Eu acredito que eles estão preparados para tudo. Pelo que eu pude ver, a Faculdade Cásper Líbero faz um trabalho fantástico em preparar esses jovens para atuar nos mais diferentes meios do jornalismo. A grande oportunidade da faculdade é oferecer bons estúdios, professores muito profissionais e preocupados em preparar os estudantes para dar um próximo passo e encontrarem um emprego. E nós precisamos de estudantes como eles. Então, nós tentamos descobrir o que eles estão pensando, ouvir o que eles estão falando, fazer anotações, quais assuntos, quais deles têm mais facilidade, quais deles são mais emocionais, quais estão sempre querendo fazer perguntas e tentar escolhê-los. Depois de dois dias, nós falamos “ olha o que você fez, o que você conseguiu”. Eu acho que avaliações como essa preparam os alunos dentro da faculdade. A cada ano, percebo que trabalho com alunos mais profissionais do que antes. Mas eles são ainda estudantes, não profissionais de fato para fazer o que fazem. 

Qual era a sua opinião sobre as universidades brasileiras antes de vir ao Brasil para trabalhar com alunos de jornalismo? Esse posicionamento mudou depois que você passou a coordenar projetos como o workshop?

Meus pais são brasileiros e eu sempre vim ao Brasil, pois minha família mora em São Paulo. Então, eu sempre estou acompanhando o que está acontecendo na cidade de São Paulo e leio todos os jornais que circulam no país. Além disso, eu assisto alguns canais como a Globo News pela internet. Eu sei o que acontece no Brasil e eu vim porque eu me importo com a família que eu tenho.  Então, eu posso dizer que sempre tive uma idéia do que já acontecia no cenário nacional. 

Então, você assiste à televisão brasileira?

Sim, acompanho em Washington.

De acordo com o que você vê, quais são as principais diferenças entre o jornalismo televisivo produzido no Brasil e nos Estados Unidos?

Eu acho que são bem semelhantes, bem próximos em relação à linguagem. Todos são doidos por fazer uma grande matéria. (risos) No entanto, existem as reportagens mais específicas, que mostram o que acontece em cada país, como as eleições. Nesse ponto, estamos preocupados em fazer os mesmos tipos de cobertura que as pessoas querem ver e acompanhar. Além de discutir algumas questões da economia do mundo, criminalidade, eleições, transporte. São muito similares. É claro que são línguas diferentes, mas, em tese, a linguagem é a mesma: contar histórias e produzir reportagens. As mais importantes matérias causam impacto diante do olhar das pessoas. A cada 25 ou 30 minutos, sempre fazemos jornais com as notícias mais recentes, o que faz parte do trabalho. Diante disso, temos que escolher as melhores matérias para exibir, e essa é a parte mais difícil e exige certa habilidade. Mas, comparando os jornais do Brasil e dos Estados Unidos, sim, há diferenças de estilo, mas acaba sendo a mesma coisa. Fazer jornalismo e trazer reportagens. Mas a escolha dessas reportagens que é o mais importante.



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