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19/01/2012 - 05h57 - Atualizado em 24/05/2012 - 03h31

Debate sobre informação e tecnologia no MediaOn

Texto: Gustavo Nárlir, editor do site; Colaboração: Joana Guimarães, 4º ano de Publicidade e Propaganda

Evento realizado no Itaú Cultural recebeu jornalistas e produtores de conteúdo na internet no fim de novembro

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Entre os dias 22 e 24 de novembro, o Itaú Cultural recebeu a quinta edição do Seminário Internacional de Jornalismo Online, o chamado “MediaOn”. Na abertura do evento para a imprensa, o repórter e colunista do jornal “Folha de S.Paulo” entrevistou o editor executivo da ProPublica, Stephen Engelberg. Durante o bate-papo, os participantes puderam conhecer um pouco mais sobre o portal ProPublica, que é uma redação independente que produz jornalismo investigativo e tornou-se o primeiro portal de notícias da internet a vencer um prêmio Pulitzer – o maior da imprensa norte-americana. Um exemplo de que até mesmo nos Estados Unidos já está havendo o interesse de descentralizar a produção de notícias, que até pouco tempo atrás estava principalmente baseada nas redações de grandes jornais e revistas.

E o assunto foi só o início de um grande debate sobre o quadro atual da mídia brasileira e internacional nas plataformas digitais. No segundo painel do dia 23, Marcelo Coutinho, que é diretor de Inteligência de Mercado para América Latina do portal Terra, mediou um debate entre três importantes nomes: Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do UOL, Renato Meirelles, diretor do Data Popular e Alex Banks, diretor-executivo do Brasil e vice-presidente da comScore para América Latina. O assunto foi como a internet e o consumo de mídia se alterou com o crescimento do poder aquisitivo das classes C e D. Em pauta, os palestrantes puderam analisar a conjuntura atual de grande demanda de consumo de informação nos mais variados veículos de comunicação.

Dentro dessa discussão sobre internet e poder dos usuários perante a repercussão das notícias, na maioria das vezes a expressão mais lembrada foi “rede social”. Um elemento que ganhou, a princípio, a popularidade com o Orkut, foi se expandindo aos poucos e hoje quase tudo que se vê na internet adquiriu uma interface semelhante às chamadas redes sociais. No terceiro painel, o MediaOn recebeu Ricardo Sangion, gerente de expansão do Facebook Brasil. Depois de tirar várias dúvidas da platéia, ele finalizou a rodada de perguntas respondendo o motivo da ausência de “não curtir” ao lado de “curtir” o conteúdo que é compartilhado. “Quando você curte, é algo que vale para você e não fica preocupado com o que o outro pensa. Por isso, você não deveria levar para os seus amigos coisas que você não gosta. O ‘curtir’ não é um ‘gostei’ ou ‘não gostei’. Não tem essa tradução literal”, respondeu Sangion.

Com base nessa perspectiva, o conteúdo musical na internet acabou ao mesmo tempo se tornando mais democrático para aqueles que não podem fazer altos investimentos como também trouxe elementos que acabaram banalizando uma produção de qualidade. Com artistas que se lançaram por meio de seus canais no Youtube ou, talvez, tentaram atualizar o malsucedido MySpace, muito se pode questionar sobre os efeitos da tecnologia no próprio mercado musical. Esse tema permeou toda a discussão do crítico da Veja, Sérgio Martins, do músico Tatá Aeroplano e dos produtores Cláudio Prado e Marcos Maynard. Em meio a críticas e elogios em relação à internet e recursos digitais, Maynard procurou defender o cenário atual, enquanto Prado destacou alguns pontos negativos como a perda da qualidade da produção musical, chegando a citar Bethoven e Justin Bieber. 

Positiva ou não, a rede social teve um papel transformador indubitável durante protestos que derrubaram governos do Oriente Médio na chamada Primavera Árabe. No terceiro painel do dia 24 de novembro, o colunista do jornal O Estado de S. Paulo, José Roberto Toledo, pode mediar uma palestra de dois estudiosos estadunidenses: Muzammil Hussein, pesquisador e gerente do projeto de Tecnologia de Informação e Política do Islã da Universidade de Wahsington e Conor White-Sullivan, diretor de tecnologia editorial do portal de notícia The Huffington Post. Para Houssein, o crescente poder das redes sociais se deve ao fato de haver maior acesso aos noticiários internacionais na conjuntura atual – algo que ele julga não ter ocorrido anteriormente e criou aquilo que ele chama de creative e-mobilization.

Uma ferramenta importante de protesto criada após o massacre e silenciamento de alguns levantes é o crow-sourced memorializing.  Segundo o pesquisador, seria uma página projetada para homenagear as pessoas que morreram em manifestações. “A partir de então, podemos ver que cidadãos comuns podem influenciar o governo”, complementou Conor White-Sullivan. O publictário e jornalista que coordena o conteúdo publicado no The Huffington Post desenvolveu a idéia do Localocracy, um site que funciona como um banco de dados de informações sobre as regiões e cidades dos Estados Unidos, como impostos e dados sobre rodovias.



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