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13/01/2012 - 12h56 - Atualizado em 24/05/2012 - 02h43

O vale do controle

Por Beatriz Gonçalves, aluna do 2º ano de Jornalismo

A vida de Margareth Sanger reflete a situação social e econômica dos EUA no início do século XX

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Reprodução
Uma mulher à frente de seu tempo, lutou
pela independência sexual feminina

 A norte-americana Margaret Sanger, nascida em Corning, no estado de Nova York, era enfermeira e dedicou seu trabalho à saúde da mulher.

Atentava para a gravidez não planejada e tinha como exemplo a sua mãe, que teve onze filhos e morreu aos cinquenta anos. Associando essa morte prematura às muitas gestações, negou-se a continuar com o que considerava “um legado familiar”. Com a ajuda de suas irmãs mais velhas, concluiu o ensino básico e, em 1900, conseguiu iniciar os estudos de enfermagem.

Em 1902, Margaret Louise Higgins casou-se com William Sanger e se mudou para Nova York, onde passou a frequentar círculos de intelectuais, artistas e ativistas. Em 1914, o divórcio pôs fim ao casamento, o que não impediu Margareth de continuar adotando o nome do ex-marido. Mantendo os ideais de liberação sexual, teve rápidos relacionamentos com vários homens, e, em 1922 casou-se com o magnata James Noah H. Slee, mas exigiu independência financeira e sexual, afirmando que a satisfação física da mulher é mais importante do que o voto de casamento.

Em 1912, desistiu da enfermagem para se dedicar à disseminação de seus ideais de controle de natalidade. Começou, então, a escrever uma coluna de educação sexual no New York Call intitulada O que toda menina deveria saber, enfrentando o seu primeiro problema com censura, ao tratar de doenças venéreas. Mas foi o mal preparo e o aborto da mulher pobre que atraíram sua atenção, passando a discutir as dificuldades econômicas que uma gravidez indesejada pode acarretar como argumento para limitar o tamanho da família. Ela acreditava que o controle do número de filhos era fundamental para assegurar a independência da mulher.

Fez uma viagem para a Europa, em 1913, e, ao voltar, publicou seu primeiro artigo na revista mensal radical feminina The Women’s Rebel, mas três artigos foram proibidos por defenderem o uso de contraceptivos, além de ter sido acusada de violar as leis de obscenidade da imprensa. Para não ser presa, voltou à Europa com um nome falso.

Em outubro de 1915, Margaret, com o intuito de receber apoio da população e chamar atenção para seus projetos, voltou para Nova York para arcar com as consequências de suas publicações na The Women’s Rebel, mas quando, em novembro, sua filha de cinco anos morreu, o governo foi convencido pelos simpatizantes de Sanger de que ela deveria ser absolvida das acusações. Liberada, imediatamente embarcou em uma viagem por todo o país para promover suas ideias. O fato de ser presa em diversas cidades só atraiu publicidade a seu favor.

Ainda em 1915, Margaret descobriu que o diafragma era o método mais seguro de contracepção, então, em 1916, abriu a primeira clínica de controle de natalidade dos Estados Unidos, fechada nove dias depois. O estado de Nova York proibiu o uso de tais recursos quando não fossem usados para evitar ou curar doenças. Essa brecha permitiu que, em 1923, Margaret abrisse outra clínica, desta vez legalmente. O Serviço de Pesquisa Clínica de Controle de Natalidade serviu de modelo para o estabelecimento de outras clínicas e tornou-se uma fonte de informações sobre a eficácia dos contraceptivos, além de contribuir para a melhoria na fabricação.

Após a Primeira Guerra Mundial, Margaret decidiu expandir seus projetos tornando-os questão de saúde pública. Em 1917, Margaret abriu outra revista mensal, a Birth Control Rewiew, e em 1921 iniciou uma campanha para fundar a Liga Americana de Controle de Natalidade.

Ela reestruturou o projeto de modo que o planejamento familiar fosse uma maneira de reduzir a transmissão de deficiências mentais e físicas, e, de tempos em tempos, apoiava a esterilização de pessoas que se encaixassem nessas categorias. “Parem de dar à luz a crianças que não podem ser inteligentes ou saudáveis”, afirma Sanger em seu artigo O que todo menino e menina deveriam saber.

Além disso, formou um comitê com o objetivo de exigir que o governo criasse leis que cedessem aos médicos o direito de indicar contraceptivos, o que só foi legalizado sete anos depois, pelos tribunais norte-americanos.

A Segunda Guerra Mundial fez com que Sanger voltasse o foco para a questão do controle de natalidade no âmbito internacional. Viajou pelo mundo, criando alarde sobre o assunto e ajudando a criar movimentos em diversos países e continentes.

Sanger ainda buscava modos mais simples e baratos de contraceptivos, e suas pesquisas possibilitaram o desenvolvimento do primeiro contraceptivo que evita a ovulação. A pílula anticoncepcional foi legalizada pela Suprema Corte, em 1965, para casais casados. Alguns meses depois, em seis de setembro de 1966, Margaret Sanger falece aos 86 anos.

Sanger escreveu mais de 600 discursos e artigos além de duas autobiografias. Seus trabalhos, publicações e anotações foram doados por ela mesma para a Biblioteca do Congresso e para a Smith College. Margaret entrava em contato com os destinatários das suas cartas e as pedia de volta com o intuito de preservá-las em seu acervo, mas nem todas as correspondências foram recuperadas

 



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