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27/12/2011 - 02h36 - Atualizado em 24/05/2013 - 07h44

Lentes selvagens

Thiago Tanji

Adriano Gambarini já esteve em florestas, cavernas, geleiras e montanhas. Tudo para produzir imagens de tirar o fôlego!

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Tarde ensolarada em São Paulo. Em meio aos prédios do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital, pessoas e carros circulam pelas ruas em ritmo intenso. Em uma confortável cafeteria num anexo da Fnac, local marcado para a entrevista, chega o fotógrafo Adriano Gambarini. Jovial, naturalmente simpático e bem disposto, deixa na mesa o aparelho celular com dispositivo auricular bluetooth. À primeira vista, o profissional parece adaptado perfeitamente ao cenário urbano que o cerca. Mas basta uma rápida conversa para descobrir que o negócio de Gambarini é mesmo o mato. Ou melhor, qualquer lugar do mundo que possa render grandes imagens. 

Desde 1992 o fotógrafo clica cenários paradisíacos, animais selvagens, cidades históricas ou culturas pouco conhecidas. O interesse pela aventura veio, literalmente, do berço. “Com um ano de idade já estava acampando com minha família e aprendi o gosto por ser viajante, o prazer pelas coisas simples da vida. Nunca fui para a Disney. Nas férias escolares eu ia acampar”, relembra.
Com uma convivência tão próxima à natureza, Gambarini decidiu cursar Geologia, formando-se pela Universidade de São Paulo (USP) no ano de 1991. Estudando cavernas, na disciplina conhecida como Espeleologia, necessitava registrar fotograficamente ambientes escuros. Assim, aprofundou-se nas técnicas de iluminação, além das principais regras da fotografia, uma base teórica essencial para a profissão que viria acolher.  

Responsável por produzir a primeira reportagem para a National Geographic Brasil, Gambarini mantém-se como colaborador habitual da publicação. O fotógrafo também documenta expedições científicas, além de registrar imagens para ONGs engajadas na preservação ambiental. 

Todas as fotos clicadas pelo profissional guardam uma particularidade: são pensadas e trabalhadas em seus mínimos detalhes. Uma herança trazida de seu gosto pela arte. “Colecionava livros de Michelangelo, Da Vinci. Durante anos estudei esculturas, me formei em piano clássico, escrevi dois livros de poesias. E acho que tudo isso são ingredientes que ajudaram a ter gosto pela fotografia, pelo conceito estético da imagem.” 

Adriano Gambarini fala, a seguir, sobre os principais aspectos da profissão, explica como produz suas imagens e comenta sobre a degradação ambiental desencadeada nos últimos anos. Tudo acompanhado das estonteantes imagens clicadas por ele.  Uma ótima viagem!