Palestra encerrou o 7º Interprogramas de Mestrado da Faculdade Cásper Líbero
No último dia 11 de novembro, a Faculdade Cásper Líbero promoveu seu 7º Interprogramas de Mestrado, evento que reuniu pesquisadores de todo o país para debaterem sobre seus projetos de pesquisa nas áreas de comunicação, mídia, jornalismo e tecnologia da informação. Como se não bastasse a intensa troca de dados ao longo do dia, os participantes puderam conferir a palestra 100 Anos de Marshall McLuhan, proferida por Lucia Santaella, professora titular do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP e autora de mais de 40 livros.
O pesquisador canadense, nascido em 21 de julho de 1911 na cidade de Edmonton, foi um dos maiores teóricos sobre comunicação e mídia do século XX, sendo o precursor de estudos sobre a influência das tecnologias nas sociedades humanas. De acordo com Lucia Santaella, o reconhecimento por sua obra foi tardio. “O pensamento de McLuhan era, para a época, bastante revolucionário e os intelectuais de esquerda o abominavam por ser apolítico e com pensamentos universalizantes”, comentou. Santaella também disse que o teórico “foi praticamente esquecido no Brasil até a explosão da Revolução Digital”, mesmo depois de ter escrito Os meios de comunicação como extensões do homem, publicado em Nova Iorque, em 1964.
A retomada das ideias desenvolvidas por McLuhan emergiram com força a partir da revolução nas comunicações trazida pelo mundo digital. Para Santaella, os pensamentos deixados pelo estudioso são mais contemporâneos hoje do que quando os emitiu. “Ele foi um visionário, e isso ninguém pode negar”, afirmou.
As quatro principais considerações de McLuhan foram abordadas durante as quase duas horas de palestra e questionamentos dos alunos. Por muito tempo, interpretações equivocadas acabaram por distorcer os conceitos de meios quentes e frios, meios de comunicação como extensões do homem, meio é a mensagem e aldeia global. Por meios quentes, entendem-se aqueles cuja percepção envolve apenas um sentido humano e que não exigem a participação ativa do receptor, tal como ocorre com os olhos em relação ao livro e com os ouvidos para o rádio. Em contrapartida, meios frios são os que envolvem vários sentidos e a participação ativa do receptor. O exemplo citado por McLuhan e relembrado pela professora foi a televisão, que envolve todos os sentidos.
Quanto aos meios de comunicação como extensões do homem, Santaella esclareceu: “McLuhan percebe as extensões como sendo dos sentidos humanos. Os meios de comunicação estendem as habilidades humanas e servem como chave para entendermos as redes digitais como extensão do nosso cérebro”.
Na época de sua publicação, o conceito mais criticado foi o de que o meio é a mensagem. Dizia-se que a mensagem era algo que estava na mente das pessoas e que o meio era mero instrumento. A releitura que se faz atualmente é que não existe mensagem separada de seu meio, seja ele televisivo, impresso, radiofônico, cinematográfico ou qualquer outro.
Sobre a aldeia global, a palestrante recontextualizou o pensamento de McLuhan para a atualidade: “Ele acertou na metáfora, mas errou no alvo ao relacionar aldeia global com a televisão. As aldeias, no início da formação humana, envolviam conversação e interferência na fala do outro. A partir daí, ele diz que temos uma segunda oralidade na televisão. Eventos como a descida do homem à Lua ou Copas do Mundo de Futebol são exemplos do que é ser global. O que eu discuto hoje é que aldeia global mesmo nós temos agora com a revolução digital, pois só com mundo digital é que reintroduzimos o que constitui o princípio mais fundamental da comunicação oral: a interatividade”.
E é nesse mundo conectado das redes que se inserem as comemorações do centenário de Marshall McLuhan. Nas palavras de Lucia Santaella, “somos aldeia não porque todos têm uma mesma fala, mas porque têm a possibilidade de interagir com falas diferentes das suas”.
Comentários Postados
O evento deve ter sido muito interesante. Fiquei em dúvida quanto à fala atribuida à professora sobre a televisão envolver todos os sentidos, já que o meio referido só lida com a visão e a audição.
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