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18/11/2011 - 19h10 - Atualizado em 22/05/2012 - 03h16

A vida de Nixon no cinema

Julia Bezerra, 1º ano de Jornalismo

Como o presidente foi retratado nos filmes "Nixon" e "Frost/Nixon"

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Reprodução
O presidente norte-americano na pele
dos atores Anthony Hopkins (acima) e
Frank Langella (abaixo)

A vida de Richard Nixon e sua atuação na política norte-americana já foram retratadas no cinema uma série de vezes. Dois filmes, produzidos em décadas diferentes, chamam a atenção. O primeiro deles é Nixon, de 1995. Mais de 20 anos depois da renúncia do ex-presidente americano, o diretor Oliver Stone colocou Anthony Hopkins nas telas para viver o polêmico personagem. O filme é uma biografia e, a fim de explorar a personalidade excêntrica do protagonista, retrata-o desde sua infância, passando pelo ingresso na vida política, em 1947, como deputado federal, por sua derrota na campanha presidencial de 1960 para John F. Kennedy, por sua vitória, em 1968, contra Humbert Humphrey, por sua reeleição em 1972 e, finalmente, por sua renúncia, influenciada diretamente pela divulgação do caso Watergate, em 1974. Curiosamente, os escândalos que o fizeram deixar o cargo mais alto da política norte-americana não são o foco de Stone. O diretor consegue retratar fraquezas, defeitos e desvios éticos de Richard Nixon sem cair no senso comum de condená-lo responsável pelo escândalo de Watergate.

Em 2008, quando pouco já se falava sobre o assunto, Ron Howard lançou o filme Frost/Nixon, surpreendendo público e crítica ao, assim como fez Oliver Stone, abordar o caso Watergate sob uma ótica inovadora. Dessa vez, focou-se na série de quatro entrevistas concedidas por Richard Nixon ao pouco popular jornalista David Frost. Ambos os personagens são bem explorados, chamando a atenção o fato de não haver pré-julgamentos acerca do caráter de qualquer um dos dois (apesar de historicamente conhecidos por terem cometido desvios éticos de conduta em suas profissões). O diretor aposta na força do roteiro tenso e bem montado e das interpretações de Michael Sheen, excelente na pele de Frost, e Frank Langella, que se destaca no papel de Nixon, apesar de não haver semelhança física entre os dois.

O caso Watergate e seus desdobramentos históricos estão diretamente relacionados à atuação do profissional de jornalismo. A trajetória de Richard Nixon e a história política dos Estados Unidos mudaram radicalmente de direção devido ao desempenho dos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, que gastaram horas, tinta e sapatos a fim de desvendar o que desconfiavam ser um escândalo político contra os cidadãos americanos. Três anos depois do caso, novamente há jornalistas envolvidos, dessa vez interessados em televisionar para os espectadores a confissão de que seu ex-presidente os traía escondido. Independentemente dos motivos que moveram esses profissionais a se dedicarem à exposição dos fatos, o relevante é que, de tempos em tempos, surgem na história jornalistas que reafirmam o principal papel da profissão: levar ao público o que ele tem o direito de conhecer.



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