O evento, que voltará a ter o centro como foco, traz propostas inéditas ao festival de artes
Trazendo 78 horas de arte para o Centro de São Paulo, a edição de 2011 da Satyrianas chega com novidades e com a retomada de tradições. O já conhecido festival trará mais de 150 atrações ao público, entre espetáculos de teatro, dança e performances, de 11 a 14 de novembro.
De acordo com Gustavo Ferreira, coordenador geral do evento, a 12ª edição da Satyrianas virá na direção contrária dos anos anteriores. Ferreira explica que nos últimos anos a programação vinha se expandido para outras áreas da cidade. Mas em 2011, o intuito é homenagear “os desbravadores da Praça Roosevelt” (os artistas Lavínia Pannunzio, Bosco Brasil, Jairo Mattos, Ariela Goldmann e Luis Frugoli), concentrando a programação na própria Roosevelt e em cerca de 20 teatros do Centro. “A intenção é voltar às nossas origens”, explica Gustavo, que é produtor geral do evento desde 2007 e coordenador desde 2009.
Mas a grande saudação à primavera e ao teatro, também trará novidades. Uma delas é uma proposta chamada “AutoPeças”. Como já sugerido pelo nome, peças curtas serão encenadas por grupos de até quatro atores dentro de 10 carros, que ficarão espalhados pela Roosevelt. Outra nova atividade são espetáculos de stand-up comedy (atração comandada por apenas um comediante), que serão apresentados no Espaço Parlapatões.
E tem mais novidade na Praça. O Chá Cultural, uma série de debates sobre dança, teatro e literatura, será transmitido em tempo real pelo Twitter. Além disso, também haverá este ano, um passeio ciclístico, que passará pelos principais teatros do centro de São Paulo.
As crianças também podem se animar com as Satyrianinhas. Nesta edição, o público infantil terá uma programação dedicada especialmente a ele, que incluirá peças como A Pequena Sereia, de Vladimir Capella, no Teatro Brigadeiro, e Os Saltimbancos, de Fezu Duarte, no Teatro Folha.
Para quem já conhece a Satyrianas, dois dos projetos já existentes, continuarão na programação: o “Ouvi Contar”, apresentação de textos produzidos em parceria com alunos da SP Escola de Teatro, encenados na casa de moradores da região da Praça Roosevelt, e o “DramaMix”, seleção de textos inéditos, de até 20 minutos.
O projeto “Ouvi Contar” é de autoria de Marici Salomão e de Ivam Cabral. Marici, que é também coordenadora do curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro, explica que em 2010, primeiro ano do “Ouvi Contar” nas Satyrianas, os anfitriões se empenharam para oferecer uma recepção calorosa aos convidados, servindo até mesmo bebidas e petiscos.
A dramaturga, que acredita ser cada vez mais difícil separar cultura da educação, explica que o projeto do “Ouvi Contar” também acaba unindo estes dois campos. “Depois das apresentações, aconteciam debates entre o público e os autores. E as pessoas estavam hiper curiosas para saber como era o processo de produção das peças. Para saber quais foram as provocações de sala de aula que levaram àquele texto”, contou. Um dos diferencias deste ano é que as peças estão mais híbridas. Os sete textos selecionados incluem desde monólogos líricos até formas dramáticas mais convencionais. Atores consagrados também são bem-vindos no projeto.
O “DramaMix” acontece desde 2007, já estando portanto em sua quinta edição. O evento já chegou a contar com cerca de 70 autores em edições passadas, mas este ano contará com 30 textos. São sempre peças curtas selecionadas por Marici, Ivam Cabral e Gustavo Ferreira.
Opções de bons espetáculos nas Satyrianas, com certeza, não faltarão. Mas para quem deseja sugestões, aí vão duas delas: Luis Antônio - Gabriela, de Nelson Baskerville, e Cabaret Extravaganza, do diretor do Satyros, Rodolfo García Vázquez. A peça documentário Luis Antônio - Gabriela estará em cartaz no Teatro Funarte, nas proximidades do metrô Marechal Deodoro.
Baseado na trajetória de um dos irmãos do diretor Nelson Baskerville, o espetáculo conta a história de Luis Antônio que supera uma série de dificuldades e agressões físicas para assumir a homossexualidade diante de uma sociedade conservadora dos anos 1960. Já Cabaret Extravaganza, que estará em cartaz no Espaço Satyros I pretende discutir a relação da humanidade com a revolução tecnológica do século XXI.
Segundo Gustavo Ferreira, o objetivo da Satyrianas 2011 é celebrar a arte como um todo. E justamente por isso, ele acha difícil selecionar atrações que se sobressaiam no festival. “A diversidade da programação é com certeza o grande destaque do evento”, disse ele. O evento, idealizado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, recebe ajuda das Secretarias de Cultura Estadual e Municipal, além de verbas do Satyros. O dinheiro, no entanto, é destinado exclusivamente ao pagamento da equipe técnica e dos equipamentos necessários. Os grupos teatrais e os artistas não recebem cachê.
Mais informações sobre a programação: http://satyros.uol.com.br/
Preço: Pague quanto puder
Ingressos: Chegar com um 1h de antecedência ao local do espetáculo
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