Selton Mello diverte e emociona em seu segundo longa-metragem como diretor
“Na vida a gente tem que fazer o que a gente sabe fazer. O gato bebe leite, o rato come queijo, e você?”. Esse é o maior drama vivido por Benjamim (Selton Mello), que ao lado do pai, Vanderlei (Paulo José), forma a dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue, que viajam com a Companhia Circense Esperança pelo interior do Brasil, no filme O Palhaço.
Benjamim diverte adultos e crianças, mas sente que não é mais o mesmo, por não conseguir mais ser engraçado como foi um dia. “O filme não é autobiográfico, mas me identifico com ele”, explica Selton Mello durante a coletiva realizada após a exibição do longa. “Eu estou nesse ramo há 30 anos, e há 30 anos eu acho que devo desistir, mas sempre surge algo que me faz continuar”.
A crise existencial que atinge o palhaço começa a afetar o seu trabalho, ele não consegue ser engraçado diante do público, e com isso, ele parte para uma jornada de auto-descoberta. A partir daí, a história consegue equilibrar elementos de comédia e drama na busca de seu protagonista por uma identidade.
Selton Mello roteirizou, dirigiu, montou e protagonizou o longa. Mesmo com o peso de um segundo filme nas costas, o diretor diz que não se sentiu pressionado pela crítica, e que acha o acúmulo de funções uma coisa natural.
O elenco inteiro se destaca. Paulo José e Tonico Pereira se juntam a atores desconhecidos do grande público. “A imprensa tem gostado dos personagens que representam o plateia do circo, e eles são todos figurantes, eles realmente não parecem atores, eles são muito naturais em suas cenas”, lembra o diretor.
Paulo José enaltece o trabalho do companheiro de cena como diretor, “Selton é uma fera, ele é teimoso e determinado. Foi uma verdadeira palhaçada, com direito a emoções variadas, sorrisos e risos. Resumindo, foi uma maravilha”.
O filme tem a capacidade de levar o espectador de volta à infância, com o circo e o jeito tímido de Benjamim fora dos palcos, mas ao mesmo tempo leva a uma reflexão sobre quem somos, quem queremos ser, qual nossa função no mundo, qual nossa identidade.
Mais que qualquer outra coisa, O Palhaço mostra que não adianta querer ser alguém que você não é, exatamente como a indagação que Benjamim carrega: “Na vida a gente tem que fazer o que a gente sabe fazer”.
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