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13/10/2011 - 14h00 - Atualizado em 23/05/2012 - 19h02

Os três coadjuvantes

Por Camila Smid, aluna do 1º ano de Publicidade e Propaganda

Elenco coadjuvante é destaque na versão cinematográfica de “Os Três Mosqueteiros”

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Reprodução
Elenco a postos. O trio une suas espadas a
de D’artagnan

Surpreendente na medida certa, a nova versão da boa e velha história de D’artagnan e os Três Mosqueteiros nos traz uma mistura deliciosa de clima clássico e ritmo contemporâneo. Figurinos estonteantes, paisagens escolhidas a dedo para dar às cenas o ar europeu que sempre esteve presente em outras versões desta mesma narrativa, e um elenco selecionado com cuidado, de acordo com os altos e baixos do cinema atual.

Uma das apostas do elenco de Os Três Mosqueteiros, de Paul W.S. Anderson, que deu muito mais certo do que o esperado é Orlando Bloom no papel do Duque de Buckingham. Enquanto estávamos todos acostumados a um herói insosso, sem absolutamente nenhuma pretensão em Piratas no Caribe, Bloom reaparece com todo estilo, numa combinação de topete e cavanhaque que o deixam agradavelmente caricato, mas que apenas colaboram para a montagem excêntrica e muito bem equilibrada da personagem. Seu humor irônico dá ao filme algo com o que se divertir mais do que com as piadas previsíveis do trio protagonista.

Porém, enquanto Bloom rouba a cena com seu desempenho sutilmente inebriado, Mila Jovovich, na pele de M'lady De Winter, nos mostra um temperamento ligeiramente descabido para um filme de época. Sem dúvida sua beleza chama grande parte da atenção durante o longa, mas sua falha foi estar graciosamente atual o tempo todo. As piscadelas e o modo de falar e andar, especialmente no início da obra, passam a impressão de uma jovem do século XX que viajou no tempo para conquistar Athos (Matthew Macfadyen), o líder dos mosqueteiros. No entanto, conforme o filme se desenvolve, é como se a própria atriz passasse por um processo de aprendizado, de forma que seu caminhar se torna elegante, e sua postura, impecável.

Nota-se que, até aqui, os protagonistas não foram citados com muita ênfase. Não por menos: D’artagnan (Logan Lerman) é um jovem bobo, desinteressante e tão atrapalhado com tudo que não é compreensível à sua habilidade com a espada. Athos é experiente e amargurado, talvez a única personagem com alguma profundidade de caráter ou personalidade. Porthos (Ray Stevenson) tem a força de um dos mutantes da turma do X-Men, da Marvel, e é tão profundo e interessante quanto sua careca. E, por fim, temos Aramis (Luke Evans), o padre que mais parece um coadjuvante, e tem participações menos interessantes que a do próprio serviçal dos mosqueteiros, o desengonçado Planchet (James Corden).

Um ótimo filme, talvez com o foco ligeiramente embaçado quando se trata de quem o protagoniza. Os Três Mosqueteiros é um consolo para quem estava desapontado com a ausência de Bloom em Piratas do Caribe, e a falta de uma sequência de Resident Evil para empregar Jovovich.



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