“A Tormenta de Espadas”, terceiro livro da série de George R.R. Martin, finalmente o afasta das comparações com os demais autores do gênero

Se Tolkien e seus hobbits das Terras Médias foram por muitos anos os símbolos da literatura fantástico-medieval, George R.R. Martin e seus lobos gigantes do continente fictício de Westeros são, sem dúvida, uma injeção de realidade bruta no gênero.
Em sua série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, Martin expurga elfos e criaturas mitológicas, enfatizando, assim, as deturpadas relações humanas e a briga pela coroa dos Sete Reinos, onde se passa a maior parte da história. Se no primeiro livro da série, A Guerra dos Tronos, o autor cria o ambiente para uma disputa e no segundo, A Fúria dos Reis, descreve o combate conhecido como Guerra dos Cinco Reis - confronto entre cinco diferentes homens que reivindicavam a coroa dos Sete Reinos -, em A Tormenta de Espadas, terceiro livro da série, mostra o pós-guerra e o assentamento de velhas rivalidades, criando, novas pelejas para sustentar os próximos quatro livros que estão por vir.
Como nos primeiros títulos, Martin não pestaneja ao assassinar e mutilar personagens queridos do público em A Tormenta de Espadas e, ao mesmo tempo, aprofundar a história de certos personagens, como o do cavaleiro Jamie Lannister, conhecido como “Regicida” por ter assassinado o antigo rei antes do início da série.
Retratado durante os primeiros livros como um monstro assassino, Jamie tem um julgamento concedido por Martin, com os leitores como parte do júri, onde a real história de seu crime é explicada. A jovem Sansa Stark também se torna alvo de um amadurecimento feito pelo autor: nos primeiros livros, era uma criança tola, que acreditava nos belos príncipes das canções. A convivência com o violento e imaturo recém-coroado rei Joffrey, - com quem deveria se casar - a estranha relação com o guarda pessoal do rei e a promessa de um resgate por um ex-cavaleiro alcoólatra transformado em bufão endureceram os sonhos da jovem. As mortes de sua família durante a guerra varreram qualquer vontade de viver de Sansa, que é transformada em mulher bem à frente dos olhos dos leitores.
Em A Tormenta de Espadas, os personagens de Martin não atingem apenas uma maturidade e profundidade nunca antes esboçadas nos livros de J.R.R. Tolkien, como também, aos poucos, se desenvolvem. Batendo a marca de três volumes de história do autor inglês, Martin não escreve A Tormenta de Espadas como um desfecho, mesmo acontecendo diversos fechamentos de histórias recorrentes neste volume, como a famigerada Guerra dos Cinco Reis.
Nessa trama repleta de chocantes reviravoltas e traições, o escritor dá margem a múltiplas novas histórias de personagens pouco esmiuçados que, sem dúvida, serão exploradas nos próximos volumes de As Crônicas de Gelo e Fogo. Se o terceiro livro da série já consegue tirar o fôlego dos leitores com suas 840 páginas, há de se esperar que os próximos volumes – que prometem ser ainda mais extensos – os mantenham sem respiração por muito mais tempo.
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