Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Notícias

07/10/2011 - 18h49 - Atualizado em 23/05/2012 - 19h58

A importância da ideologia nas publicações editoriais

Deborah Rezaghi, 1º ano de Jornalismo

Representantes da chamada “mídia alternativa” questionam os papéis dos órgãos de imprensa mais respeitados na sociedade brasileira

Compartilhe:


Novas ideias e visões da comunicação. Essa foi a pauta principal apresentada no último dia da 19ª Semana de Jornalismo, que teve uma mesa repleta de discussões sobre as novas alternativas para a imprensa do século 21. Mediados pelo Prof. Gilberto Maringoni, os debatedores Natália Viana, Nilton Viana, Maurício Hashizume, Joaquim Palhares e Paulo Donizetti foram incisivos na defesa de suas opiniões.

Para Natália Viana, da Agência Pública de Jornalismo Investigativo, uma empresa que existe desde março de 2011 e é dirigida apenas por mulheres, o jornalismo investigativo é essencial para a democracia. Segundo ela, para se fazer uma boa matéria com esse perfil é preciso tempo e paciência, dois ingredientes que aparentemente não dão lucro à imprensa tradicional. “O repórter deve ficar meses fazendo uma reportagem. Isso é essencial em uma democracia, pois só com tempo se consegue contar direito uma história”, defende. Natália ajudou a vazar os documentos do Wikileaks e teve acesso a eles quinze dias antes de chegarem à grande mídia. Mas, de acordo com ela, muitos documentos que falavam das empresas não receberam a atenção que mereciam. “A Folha de S. Paulo e O Globo não falaram de documentos que ferissem determinadas empresas nem dos que falavam de FHC, Serra e Alckmin. Há coisas que os veículos tradicionais não podem publicar, pois dependem de anúncios e de relações políticas”, lembra a jornalista.

Outro assunto bastante abordado foi o chamado “cerco midiático”. De acordo com Nilton Viana, editor chefe do jornal Brasil de Fato, a mídia omite e deturpa assuntos que não lhe convém. Conforme o seu depoimento, diversos eventos importantes na política nacional foram silenciados pela mídia, como o massacre de trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás em 1996 e uma série de outros assassinatos envolvendo os trabalhadores do campo. “Além de silenciar, a mídia passou a desmoralizar esses movimentos e deturpar a luta dos trabalhadores”, diz. Com a finalidade de trazer maior transparência e veracidade às informações, foi criado em 2003 o jornal Brasil de Fato. A publicação tem como objetivo ser um veículo para dialogar com a sociedade e se tornar a voz da classe trabalhadora. “O jornal nasce para ser plural nas ideias, expressar solidariedade entre os povos, enfatizar a militância política e social”, acredita. Por isso, Nilton conclui que “é fundamental democratizar a informação e os meios de comunicação”.

Um dos responsáveis pela reportagem sobre o trabalho escravo realizado pela Zara, Maurício Hashizume trabalha na Repórter Brasil desde 2007. A publicação faz grandes reportagens sobre problemas sociais e ambientais do país, entre eles o trabalho escravo. De acordo com ele, a revista recebe muitas pautas, pois são muitos os problemas. No entanto, falta recursos e pessoas para tais matérias serem realizadas. Há diversos assuntos que são sensíveis e difíceis de aparecer na grande mídia, pois existem interesses e projetos políticos em jogo. “Quantas vezes você viu uma matéria sobre o corruptor? Se há algum corrupto que recebeu dinheiro é porque há alguém que pagou”, denuncia.

Para Joaquim Palhares, da Agência Carta Maior, é preciso se posicionar sobre o lado em que está. Ele diz que não consegue se imaginar trabalhando na Veja, O Globo, Folha, Estado, pois, segundo ele, esses veículos não fazem jornalismo e cuidam apenas dos próprios interesses.“ Nós somos alternativos no sentido de que fazemos jornalismo engajado e mostramos de que lado estamos. Só sobreviverão aqueles que se identificarem. Os que se escondem atrás de páginas de revistas e jornais dizendo que são isentos não irão sobreviver”, afirma.
Já Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil – que é bancada por cerca de 60 sindicatos –, a imprensa deve estar preocupada com a qualidade de vida das pessoas e não com os produtos. Para ele, a mídia alternativa deve ser entendida como um mercado de trabalho e um local para se discutir idéias. “A imprensa alternativa mostra que é possível trabalhar com idealismo e perspectiva profissional. Não existe a perspectiva de ficar rico, mas sim a de fazer o trabalho que gosta e viver dignamente com seus ideias”, fala.

Engajamento, idealismo, mudanças sociais, novas alternativas. Para os futuros jornalistas, nada mais importante que saber que existem outras ideias e meios diferentes dos tradicionais. Dessa forma, é possível trazer outras perspectivas a respeito de assuntos que são estereotipados pela grande mídia.  



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.