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06/10/2011 - 18h34 - Atualizado em 23/05/2012 - 20h49

O futuro do jornalismo com as ferramentas tecnológicas

Deborah Rezaghi, 1º ano de Jornalismo

Profissionais responsáveis por sites de notícia participam da sétima mesa da 19ª Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero

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Norberto Ioavasso/CECL
Além da presença dos palestrantes, o aluno Bruno
Podolski apresentou o projeto do Paulista900

Internet, tecnologia, novos meios, softwares, inovação, dados. Esses foram os termos mais ouvidos durante a manhã do quarto dia da 19ª Semana de Jornalismo. Mediados pelo professor Walter Lima Jr, os convidados Caroline Pietoso, Valdecir Becker e Rafael Sbarai discutiram a aproximação entre jornalismo e ciências da computação.

Ao jornalista de hoje não cabe apenas saber apurar, escrever, fazer pautas e reportagens. É preciso mais. Em um mundo repleto de tecnologia, em que os aparelhos tornam-se obsoletos em um intervalo de tempo cada vez menor, é fundamental saber lidar com esses novos meios. Rafael Sbarai, editor do site da revista Veja, utilizou o termo “darwinismo jornalístico” para explicar a atual tendência do mercado. Para ele, “o ambiente seleciona o melhor adaptado, pois exercer a função de jornalista não é apenas saber o básico que a profissão exige. É preciso transcender essas características e conhecer os meios tecnológicos, como o API (Interface de Programação de Aplicativos)”. Para exemplificar a sua colocação, Sbarai menciona o The New York Times e seu editor, Aron Pilhofer, que tem uma equipe de programadores que fazem jornalismo que não cursaram a faculdade. Mesmo assim, Pilhofer acredita que sua equipe de programação acaba aprendendo o jornalismo na rotina diária.

No Brasil, 76% dos usuários que têm acesso à internet em casa navegam na rede e assistem à televisão ao mesmo tempo. Dessa forma, pode-se concluir que as pessoas não assistem mais televisão hoje como antigamente.  Segundo Valdecir Becker, da TV Digital, “as novas tecnologias vem incluídas na televisão e há nelas ferramentas que permitem o acesso ao Facebook e ao Twitter”. De acordo com Becker, as pessoas que faziam telejornal não sabiam como incorporar essas novas tecnologias e é preciso aproximar o receptor do produtor de conteúdo.

Criado em uma universidade nos EUA, o Monkey é um software que lê seis mil fontes e por meio delas é capaz de produzir uma notícia. Até agora, o mecanismo funcionou apenas para a produção de notícias sobre basquete. Mas, e quando ele se tornar responsável pelos mais diversos tipos de notícias? Será o fim do jornalismo? Embora isso possa não acontecer, a morte da profissão já foi decretada em diversas oportunidades. Com um overbooking de informações, a resposta para essa questão é “não”, pois será papel do comunicador saber selecionar aquilo que é importante para o público. “Nenhum computador e nenhum sistema apura nada, tudo é feito a partir do trabalho humano. O jornalista sabe qual é a informação importante, o que é de interesse público”, argumenta o Prof. Dr. Walter Lima Jr., que coordena o grupo de pesquisa TECCRED (Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.

No Brasil, parece haver uma união estável entre jornalismo e programação – o que não permite uma flexibilidade da informação. Para a pesquisadora Caroline Pietoso, “não há espaço para os jornalistas criarem dentro dos portais, pois é cada vez mais complicado fazer só o lide”. Por isso, ela afirma que “é preciso usar a internet para contar uma história, mas isso ainda é difícil de ser feito”.
Apesar das profecias catastróficas que vaticinam o fim do jornalismo, o trabalho desses profissionais será cada vez mais importante em um mundo em que milhões de dados são jogados na rede a cada instante. Um aparente alívio para os estudantes e profissionais de comunicação social.



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