Profissionais se reúnem na quinta mesa da 19ª Semana de Jornalismo para analisar a comunicação intermediada pela internet e pelos dispositivos móveis
Debates são sempre inspiradores. Ainda mais em uma semana de palestras, como a que está ocorrendo na faculdade, onde geralmente a tendência é que todos fiquem sentados, fazendo anotações, tirando fotos, interagindo ao final com perguntas sobre o que foi discutido e dificilmente discordando dos argumentos apresentados. A manhã desta quarta-feira, 5 de outubro, foi inusitada por esse motivo, pois inspirou os alunos a comparecerem no resto da semana. Apesar da quantidade menor de alunos em comparação aos outros dias, a participação foi a mesma.
A mesa foi composta apenas por mulheres: Beth Saad (ECA-USP), Daniela Bertochi (ECA-USP), Kátia Milltelo (diretora da Revista Info Exame), Daniela Bezerra da Silva (Casa de Cultura Digital) e a Prof. Daniela Osvald Ramos, que foi a mediadora. O tema discutido gerou em torno do nome dado a palestra: “Novas mídias para novos mercados” e em torno da pauta “Qual é o papel do jornalista hoje em dia?”.
Os meios de comunicação sempre estiveram voltados à adaptação, com alguns toques de inovação. A televisão surgiu sem uma linguagem própria e por isso, nos seus primeiros anos, era um rádio com imagens. A internet e os tablets, por sua vez, tentaram transpor o que há no meio impresso para o digital e pretendem ganhar dinheiro com propaganda e publicidade – o que, na maioria das vezes, não funciona tão bem na prática. Ou seja, na visão de Beth Saad, os meios digitais ainda precisam adquirir uma identidade, algo que os torne originais. “Hoje você tem uma audiência que está migrando de plataforma, com um novo modo de se relacionar com a rede”, ela defende.
Já em relação à profissão do jornalista, não houve um consenso. E aí surge a polêmica. No passado, com o surgimento da ideia de uma “multiplataforma”, acreditava-se que o profissional de comunicação social se transformaria naquele que está nas ruas para realizar uma matéria inteira, sem a ajuda de mais nenhum profissional. Ele seria o câmera, o fotógrafo, o entrevistador, o redator, o editor, o produtor e aí por diante. E é exatamente o que acontece atualmente, pois muitas empresas preferem poupar salário e mão de obra, obrigando os jornalistas a terem diversas funções.
Além disso, é preciso também analisar os papéis que esse jornalista exerce como comunicador. Com a quantidade de informações que a internet disponibiliza, é possível reconhecê-lo como um curador, organizador de ideias que se tornaram mais fáceis de se achar e de se entender. “Fazer comunicação hoje em dia significa abrir caminho para que mais pessoas possam falar”, opina Daniela Silva, ex-aluna da Faculdade Cásper Líbero que trabalha na Casa de Cultura Digital.
Por outro lado, o jornalista continua sendo um produtor de informações, e o que Daniela coloca em evidência é que não basta produzir notícias, mas entender o que ocorre por trás delas e a origem das informações. Como profissional da comunicação de banco de dados, ela acredita que não há publico para isso, pois não há um interesse de todos.
A palestra foi esclarecedora ao apresentar diversos pontos de vista sobre o conceito de multiplataforma, que deve estar presente no espírito jornalístico, não necessariamente nas funções que exerce, mas no sentido de pensar sempre de modo novo, diferente, e, principalmente, curioso.
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