Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Notícias

04/10/2011 - 16h06 - Atualizado em 22/05/2012 - 15h01

O desafio de fazer jornalismo em rádios comunitárias

Texto: Gustavo Nárlir, editor do site; Colaboração: Melina Sternberg e Renata Barranco, 2º ano de Jornalismo

Na primeira mesa da 19ª edição da Semana de Jornalismo, foi discutida a inclusão social de jovens nos veículos de comunicação

Compartilhe:


Gabriel Conti/CECL
Os palestrantes apresentaram projetos de comunicação
que possibilitam a inclusão social

A participação mais democrática de todas as classes nos noticiários da imprensa se tornou predominante nos últimos anos com projetos em rádios e veículos comunitários. Na mesa que abriu a 19ª edição da Semana de Jornalismo estiveram presentes estudiosos e integrantes de veículos da imprensa que estão preocupados em dar espaço aqueles que geralmente passam imperceptíveis na sociedade. Lilian Romão, coordenadora executiva da revista impressa e eletrônica Viração, apresentou a proposta da publicação que tem apoio da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e é produzida pelos Conselhos Jovens (Virajovens). De acordo com a jornalista, é importante unir o que se conhece dos velhos veículos de comunicação com as novas mídias.

Formada em Jornalismo pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Curitiba, Lilian traçou um paralelo entre os estudos sobre a educomunicação que fez ainda na década de 1990 em relação aos dias de hoje. “O mundo da comunicação social e dos direitos humanos é a única solução para que se possa chegar à democracia e ocorra uma quebra de paradigmas dentro do campo da comunicação”, defende. E esse pensamento se aplica na prática dentro da revista Viração, que é um órgão que dá voz a cerca de 150 jovens de diversas comunidades de São Paulo. Para ela, a educação é uma das funções básicas do jornalismo dentro de um processo educomunicativo, para que haja uma conscientização da própria sociedade em relação ao conteúdo publicado.

Essa é a mesma preocupação de José Reynaldo Gonçalves, que é participante da Rádio Heliópolis e conhece de perto a rotina da emissora que, no início, enfrentou alguns problemas estruturais e começou a se organizar em 1997, já com transmissão em FM. Aos poucos, a programação foi se fortalecendo diante da comunidade que atingia. Para Gonçalves, é fundamental o papel de comunicadores sociais e não apenas locutores ou jornalistas, pois a comunicação pode ser uma arma muito perigosa e deve ser usada com cautela. A Rádio Heliópolis é associada da AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), existe há quase 20 anos e chegou a ser temporariamente fechada em 2006.

De acordo com Sérgio Pinheiro, que estudou as rádios comunitárias durante o seu Mestrado na Faculdade Cásper Líbero sob orientação do Prof. Dr. José Eugênio de Oliveira Menezes, existe uma busca constante por audiência nos veículos radiofônicos. O pesquisador acredita que a importância das emissoras “sem boss (patrão, em inglês)”, como gosta de chamar, é que elas criem vínculos com seus ouvintes. “Há sempre uma relação de proximidade que não ocorre, muitas vezes, em outras rádios”, conta. Por isso, Sérgio Pinheiro destaca que isso pode modificar vidas e proporcionar oportunidades, ainda que haja uma transformação social muito lenta. Todavia, o instrumento do rádio tem um papel educativo intenso que pode acelerar esse processo. E é a partir desse desejo que o jornalismo comunitário se torna uma ferramenta crucial para a transformação de problemas sociais.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.