Depois do sucesso da primeira edição, com quase 4 milhões de cópias vendidas, Valve investe no puzzle com a inteligência artificial mais carismática dos games

Foi em 2007 que conhecemos GLaDOS, a inteligência artificial do jogo Portal, parte da franquia Half-Life lançada pela Valve. Dotada de um raciocínio tão apurado quanto seu humor, a onipresente máquina avalia os limites da humanidade do jogador em salas de testes. Com menos motes e memes que na primeira, a segunda edição se mostra mais robusta nos quesitos roteiro, jogabilidade, design e trilha sonora.
Portal 2 traz maior seriedade e aprofundamento no enredo ao inserir mais personagens e conflitos que, homeopaticamente, apresentam a história da Aperture Science. Conectando o mundo de Portal com o de Half-Life não só pela música Still Alive, em que a Black Mesa é citada, o novo jogo levanta interpretações cronológicas sobre a criação e desenvolvimento da empresa, além dos envolvidos - como Cave Johnson e Caroline.
Apresentada como Chell, a protagonista novamente é responsável por frear a reativada GLaDOS. Com a ajuda do core personality Wheatley, as fases iniciais dão impressão que o jogo termina precocemente, visto que a inimiga é logo derrotada. Mas é justamente a partir daí que o roteiro prova amadurecimento e cuidado.
Tentando derrotar GLaDOS de dentro para fora, Wheatley se conecta ao grandioso sistema da AI e também acaba perdendo o equilíbrio emocional. Sua personalidade fraterna rui junto às estruturas da Aperture Science, que se reinventa aos modos do core personality. Da estética de George Lucas em THX-1138 (1971), Portal se transforma em um cenário pós-apocalíptico retrofuturista, inaugurando um surpreendente turning point no qual o inimigo passa a ser outro.
Em Portal 2, há uma declarada extrapolação da física. Os quebra-cabeças são incrementados por cubos de deflexão de laser e três tipos especiais de gel: de repulsão, de propulsão e o Tag (fazendo menção ao Tag: The Power of Paint, puzzle da DigiPen). Além disso, a nova edição oferece o modo cooperativo em multiplayer online. A única crítica a ser feita é a impressão do jogo estar mais fácil, porém é possível que essa sensação se dê mais propriamente àqueles já acostumados a “pensar com portais”.
Com gráficos mais sofisticados e atraentes, Portal 2 proporciona uma imersão aprofundada pela brilhante trilha sonora. Trazendo um update às nostálgicas músicas em 8-bit, as canções instrumentais dão ao jogo o clima perfeito ao serem inseridas em fade conforme as decisões do jogador se aproximam do ideal. Destacam-se entre as músicas, que podem ser baixadas neste link, a Science is Fun e Music of Spheres.
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