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16/09/2011 - 17h00 - Atualizado em 23/05/2012 - 12h24

A arte crítica de Gottfried Helnwein

Lidia Zuin, 4º ano de Jornalismo

O artista hiper-realista já trabalhou com músicos como Marilyn Manson e Rammstein

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Gottfried Helnwein
Na pintura em tela American Prayer, Helnwein retrata a forte
influência dos personagens da Disney no imaginário das crianças
Helnwein ainda costuma adequar a esses elementos outras características que fazem ponte com a religião ou a cultura pop. Sua atitude acaba, muitas vezes, provocando reações violentas por parte do público. Em 2001, numa exibição no Kilkenny Arts Festival, na Irlanda, o conselho da cidade propôs expor as obras na prefeitura da cidade, mas a população protestou a sugestão por meio dos jornais e em ligações para a rádio local. Inclusive, durante a exposição, dois trabalhos foram vandalizados, mas Helnwein acredita que toda reação à sua arte é importante. Para estudiosos do fotógrafo, como Katy O’Donoghue, o nacional socialismo acaba despertando o trauma do século XX, desde suas conseqüências à cumplicidade das pessoas contemporâneas ao evento.
Desde 1970, Helnwein tem o abuso, a dor e a violência como mote. Em entrevista para a TRUCE Magazine, em dezembro de 2008, o artista assumiu que se envolveu com temas violentos muito cedo, especialmente tratando-se de crianças. Nessa mesma ocasião, Helnwein indicou: “No curso de minha pesquisa, eu vi fotografias forenses de crianças que eram agredidas e torturadas até a morte – principalmente por parentes próximos.” Nas décadas de 1960 e 1970, o fotógrafo não encontrava esse tipo de assunto circulando pela mídia, por isso suas primeiras pinturas de crianças enfaixadas causaram furor na Áustria, que nomeou seu trabalho como “arte degenerada” – ou entarte kunst, movimento artístico cultivado durante o Terceiro Reich e a União Soviética que ia contra a estética e moral defendidas pelos regimes.
Gottfried Helnwein é conhecido pelas fotos promocionais que fez para bandas como Marilyn Manson e Rammstein. Em ambas as oportunidades, o artista reforçou a imagética nacional socialista acompanhada de outros elementos que são (ou foram) incômodos às pessoas – como o caso da maquiagem “cara preta”, emprestada do teatro Vaudeville. O austríaco também tem como temática de sua obra o uso de figuras da cultura pop, como o pato Donald e outros personagens da Disney, além de bonecos de ação de desenhos japoneses. Em diferentes trabalhos em mixed-media (pintura em tela com acrílico), Helnwein incorpora esses elementos junto à imagem de crianças. Para ele, a Disney e a cultura pop americana foram o que preencheu o vazio pós-Segunda Guerra Mundial, em que as ruas vienenses eram só destroços e silêncio. Enquanto os pais e demais parentes não respondiam as perguntas das crianças, curiosas com o passado, toda uma geração cresceu usando calças jeans e bebendo Coca Cola. Para Helnwein, então, o Pato Donald se tornou um herói devido ao grande choque de culturas que a personagem provocou.

Gottfried Helnwein nasceu em Viena, Áustria, no ano de 1948. Considerado um dos artistas germânicos mais polêmicos após a Segunda Guerra Mundial, sua obra é composta por imagens hiper-realistas, sejam em forma de fotografia, mixed-media (formatos misturados) ou pintura em tela. Expostos em galerias de arte e em painéis gigantes em países como a Irlanda, os trabalhos do austríaco são, majoritariamente, compostos por crianças e elementos relacionados ao nacional socialismo. Essa união representa uma metáfora da relação entre a vítima e o mau, o fraco e o forte.

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O artista ainda costuma adequar a esses elementos outras características que fazem ponte com a religião ou a cultura pop. Sua atitude acaba, muitas vezes, provocando reações violentas por parte do público. Em 2001, numa exibição no Kilkenny Arts Festival, na Irlanda, o conselho da cidade propôs expor as obras na prefeitura da cidade, mas a população protestou a sugestão por meio dos jornais e em ligações para a rádio local. Inclusive, durante a exposição, dois trabalhos foram vandalizados, mas Helnwein acredita que toda reação à sua arte é importante. Para estudiosos do fotógrafo, como Katy O’Donoghue, o nacional socialismo acaba despertando o trauma do século XX, desde suas conseqüências à cumplicidade das pessoas contemporâneas ao evento.

Desde 1970, Helnwein tem o abuso, a dor e a violência como mote. Em entrevista para a TRUCE Magazine, em dezembro de 2008, o artista assumiu que se envolveu com temas violentos muito cedo, especialmente tratando-se de crianças. Nessa mesma ocasião, Helnwein indicou: “No curso de minha pesquisa, eu vi fotografias forenses de crianças que eram agredidas e torturadas até a morte – principalmente por parentes próximos.” Nas décadas de 1960 e 1970, o fotógrafo não encontrava esse tipo de assunto circulando pela mídia, por isso suas primeiras pinturas de crianças enfaixadas causaram furor na Áustria, que nomeou seu trabalho como “arte degenerada” – ou entarte kunst, movimento artístico cultivado durante o Terceiro Reich e a União Soviética que ia contra a estética e moral defendidas pelos regimes.

O austríaco é conhecido pelas fotos promocionais que fez para bandas como Marilyn Manson e Rammstein. Em ambas as oportunidades, o artista reforçou a imagética nacional socialista acompanhada de outros elementos que são (ou foram) incômodos às pessoas – como o caso da maquiagem “cara preta”, emprestada do teatro Vaudeville. O austríaco também tem como temática de sua obra o uso de figuras da cultura pop, como o pato Donald e outros personagens da Disney, além de bonecos de ação de desenhos japoneses. Em diferentes trabalhos em mixed-media (pintura em tela com acrílico), Helnwein incorpora esses elementos junto à imagem de crianças. Para ele, a Disney e a cultura pop americana foram o que preencheu o vazio pós-Segunda Guerra Mundial, em que as ruas vienenses eram só destroços e silêncio. Enquanto os pais e demais parentes não respondiam as perguntas das crianças, curiosas com o passado, toda uma geração cresceu usando calças jeans e bebendo Coca Cola. Para Helnwein, então, o Pato Donald se tornou um herói devido ao grande choque de culturas que a personagem provocou.

GottfriedHelnwein.com
Fotografia Modern Sleep (2003), que está no acervo do Museu de Arte de Santa Bárbara


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