Há quase 50 anos, a Cásper ainda era a única a oferecer o curso de Jornalismo e se localizava no centro da capital paulista
1962. Com apenas 15 anos de funcionamento, o prédio da Faculdade Cásper Líbero se localizava na antiga Rua da Conceição, atual Avenida Cásper Líbero. O espaço, que era também chamado de “Palácio da Imprensa”, era o mesmo local da redação de A Gazeta, que havia sido a primeira obra planejada exclusivamente para a produção de um jornal.
De acordo com o jornalista Clóvis Rossi, as salas eram distribuídas em um mesmo andar e não havia todo o planejamento que encontramos hoje na faculdade. Confira abaixo algumas lembranças e comentários dele sobre essa época.
Como se deu a escolha pelo jornalismo e a entrada na Faculdade Cásper Líbero?
A faculdade era a única que tinha o curso de jornalismo na época e, como eu não tinha idade para prestar vestibular para o Instituto Rio Branco e estudar diplomacia, eu resolvi fazer Jornalismo, porque parecia mais fácil de entrar. Entrei e comecei a estudar. Naquela época, o curso era de apenas três anos e, no segundo ano, um dos professores me indicou a uma vaga para a sucursal de São Paulo do Correio da Manhã, um matutino carioca. Esse jornal acabou sendo fechado por pressão da ditadura. Aí eu fui e fiquei.
Como era a faculdade na época que você estudou?
Era um prédio na Avenida Cásper Líbero, no centro velho, perto da Estação da Luz. Ali era uma continuação da Avenida Ipiranga. Não lembro muito bem, pois estamos falando de quase 50 anos atrás e a memória vai ficando cada vez mais fraca. Era outra coisa, não tinha nenhum parentesco com a faculdade de hoje, o prédio de hoje, as instalações de hoje, o curso de hoje, as disciplinas de hoje, nada disso. Quando você me mandou o link para a matéria com o Bassan, eu tive a curiosidade de apertar no link para os professores da Cásper Líbero e o número me pareceu estonteante. Porque antigamente era meia dúzia de pessoas e era um curso quase amador, relativamente recente. Eu não tenho certeza de quando foi criada a faculdade, mas no começo dos anos 60 era relativamente recente, quase amadora.
Como era a organização das disciplinas e do curso?
Entrei em 1962 e o curso durava três anos. As disciplinas não tinham toda a facilidade que se tem hoje, com aulas práticas, jornais laboratórios, um site laboratório, nada disso. Era pura e simplesmente teoria, teoria e teoria. O máximo de prática que a gente tinha era visitar a redação de algum jornal, que é uma coisa completamente sem pé nem cabeça, pois não faz sentido. Não tem como ensinar nada apenas passar em uma redação, olhar o pessoal trabalhando e sair sem ter a menor chance de realmente entender como funcionam as coisas.
Era um curso muito amador e o ensino do jornalismo não estava sistematizado. Não era uma coisa levada tão a sério como é levado hoje, que você tem concorrência e várias faculdades de jornalismo. Era uma escola só, quase que uma iniciativa amadora, sem dar à palavra uma conotação negativa, pejorativa, mas amadora no sentido de que era voluntarista. Não tinha todo esse aparato técnico, não havia teorias da comunicação como há hoje, até que felizmente, porque muitas, para ser bem sincero, são pura porcaria.
Você lembra de alguns colegas de sala que se tornaram jornalistas importantes?
Eu me lembro do Giba Um, da ex-mulher do Alberto Helena e da Maria Lúcia Fragata, que foi depois editora do suplemento feminino do Estadão. Que eu me lembre só. Volto a dizer, estamos falando de muitos séculos atrás. (risos)
O senhor conseguiu acompanhar as mudanças ocorridas na Cásper?
Eu não me atreveria a dar palpite sobre isso porque eu acompanho muito pouco. Tenho plena convicção que, em relação ao meu tempo de faculdade com os dias de hoje, a mudança foi extraordinária. É um outro planeta. Mas isso é natural, pois estamos falando de quase cinquenta anos de distância. Se alguma coisa não tivesse mudado nesses cinquenta anos algo estaria errado. Agora, fazer juízo de valor, dizer se melhorou ou piorou, eu não me atrevo porque realmente o meu acompanhamento é muito distante para falar e poder dar palpite.
Como era a faculdade na época que o senhor começou?
Era um prédio pequeno com poucas salas em apenas um andar, poucos professores, nenhuma aula prática, nenhum laboratório, nada, equipamentos zero, nada do que vocês têm hoje a disposição. E vocês ainda se queixam.
Comentários Postados
Não sou uma grande leitora de Clóvis Rossi.O que consigo ler são apenas alguns artigos que vejo no jornal que entregam na escola que muitas vezes pegava para ler.Vendo esta matéria passamos a entender um pouco mais sobre o que realmente é o jornalismo para este homem.É bom saber que eu pude conhecê-lo melhor,acho que foi sorte mesmo,essas matérias saõ excelentes agora que descobri vou continuar lendo espero que tenham outras tão boas quanto esta!OBRIGADA:)
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