Novo filme da franquia “Planeta dos Macacos” retrata os humanos como os verdadeiros animais da história
Em 1968 o mundo conheceu a história de um astronauta que caiu em um planeta parecido com a Terra, só que dominado por macacos. Durante o filme, o protagonista descobre que na verdade ele está na Terra muitos anos no futuro, mas o longa não deixava claro como tudo se inverteu e os macacos dominaram os humanos. Houve apenas uma justificativa: uma guerra nuclear que devastou o mundo. Planeta dos Macacos: A Origem surge para mostrar como os macacos se desenvolveram e se rebelaram contra os humanos.
O novo filme cria uma justificativa diferente para essa mudança no status quo. Enquanto o original aproveitava a Guerra Fria para contar a história, o novo longa usa um conceito mais moderno e atual: a manipulação genética.
Will (James Franco) é um cientista que trabalha em busca da cura para o Mal de Alzheimer, doença que afeta seu pai, Charles (John Lithgow). Para isso ele testa suas fórmulas em macacos. No dia da aprovação dos testes em humanos, um macaco se descontrola e estraga as pesquisas de Will. A empresa desiste do projeto e obriga os cientistas a sacrificarem as cobaias, mas Will não tem coragem de matar um filhote e o leva para casa.
Os genes modificados da mãe fazem com que esse filhote, César, desenvolva o cérebro além do normal e se torne muito inteligente. Um dia, após uma confusão onde César protegia seu “pai”, o controle de animais o leva para um lugar junto com dezenas de outros símios; é quando César percebe que humanos como Will, atenciosos e cuidadosos, são raros.
Andy Serkis, ator que fez o Gollum, de O Senhor dos Anéis, e o King Kong pelo sistema de captura de movimentos, atua aqui no papel do macaco César. O trabalho que ele realiza é impecável, conseguindo se expressar melhor que muito ator por aí. Nenhum macaco no filme é real, são todos gerados por computação gráfica, usando os mesmos recursos de Avatar, e mesmo assim em nenhum momento é possível perceber que são falsos, tamanha a eficiência na criação dos símios.
O filme é todo centrado em César. O espectador é colocado no lugar do macaco, que parece o ser mais humano do longa, enquanto os homens são reduzidos aos animais da obra.
A história surpreende, apesar de mudar a ideia original do primeiro filme. Ela conta muito bem os fatos, sem grandes pressões para explicar situações do longa de 1968. Além disso, o enredo deixa uma pequena brecha para que ocorram possíveis continuações.
Os macacos, apesar de fazerem coisas incríveis, são muito reais, transmitem seu sofrimento perante o tratamento que recebem dos homens até se rebelarem. Um filme não só de aventura, mas um ótimo drama sobre os animais, melhor que muito blockbuster em cartaz nos cinemas atualmente.
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