“Amor a Toda Prova” é comédia romântica acima da média no quesito roteiro e atuações
Dificilmente as comédias românticas de hoje em dia conseguem se isolar de alguns clichês. Existem aquelas que procuram escapar do estereótipo, evidenciando o fato de não desejarem integrar o grupo de filmes banais de amor. Mas mesmo essas acabam caindo na mesmice do velho romantismo incurável de Hollywood em algum momento. Com Amor a Toda Prova não é diferente.
O grande trunfo é que souberam como colocar esses sentimentalismos de modo que o filme não ficasse bobo nem parecesse figurinha repetida. A trama entre Cal (Steve Carell), o pai quarentão que é traído pela mulher e não sabe lidar com a vida de solteiro, e Jacob (Ryan Gosling), o garanhão que vai ensinar tudo o que Cal precisa reaprender sobre mulheres, lembra um pouco o longa Hitch - O Conselheiro Amoroso, mas não é.
Por meio de atuações bem naturais, Steve Carell conduz Cal de uma forma interessante. Apesar da tristeza decorrente da separação, o ator atribui uma carga bem humorada ao personagem. Ryan Gosling dá vida a um papel que tudo tem a ver com ele - um conquistador bastante espirituoso.
Na pele de Emiliy, ex-mulher de Cal, Juliane Moore prova sua habilidade para encarar papeis que diferem muito de um longa para outro. Mas a grande surpresa é garantida por Marisa Tomei, que aparece em uma performance hilariante como Kate, uma professora que já sofreu devido a problemas com álcool.
Em muitos filmes, é notável a dificuldade do diretor ao atribuir personalidade aos seus personagens. Tanto que, no final, fica a impressão de que a película dá apenas uma pincelada superficial em alguns papeis.
Os diretores Glenn Ficarra e John Requa, pelo contrário, atribuem uma pesada carga psicológica a todos da história. Até mesmo um garoto de 13 anos consegue ser mais divertido e complexo do que se imagina. Para cada indivíduo, eles conseguem inserir doses de empatia, capazes de gerar no espectador certa proximidade. Se não incita a sensação de fazer parte do convívio daquelas pessoas, estimula, ao menos, a curiosidade para acompanhá-las até o último minuto da história.
Amor a Toda Prova é uma trama que tem início na tristeza da separação. Uma comédia que faz você rir, sim, e bastante. Também faz você colocar as mãos nos olhos durante uma cena constrangedora ou até mesmo algumas lágrimas escaparem num momento mais comovente.
O filme trata puramente do amor. De como o sentimento não precisa de razões, nem de motivos, nem de um raciocínio lógico super apurado. É uma obra que exige apenas um pouco de sensibilidade do espectador e abandono do preconceito com o gênero, para ser apreciada em seu melhor. E isso não quer dizer que seja um longa vazio. Muito pelo contrário. Pois há, sim, espaço para pensar, refletir e observar o comportamento humano.
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