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31/08/2011 - 12h33 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h37

Ode ao cinema

Por Itamar Montalvão, aluno do 1º ano de Jornalismo

Em “Super 8”, J. J. Abrams agrega referências de obras de seu ícone Steven Spielberg

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Reprodução
Joe (Joel Courtney) e Alice (Elle Fanning) ao
lado dos pais, com quem ambos têm uma
relação conturbada

No verão de 1979, numa pequena cidade industrial de Ohio, EUA, um grupo de amigos testemunha um terrível acidente de trem durante a produção de The Case, um filme caseiro sobre um ataque de zumbis, com o qual esperam participar de um festival de cinema amador na escola.

Durante o caos instalado por vagões em chamas, que mais parecem asteróides voando para todos os lados, os meninos em fuga deixam para trás a câmera Super 8 usada na filmagem, que registra parte do espetacular desastre.

Logo depois, fatos estranhos começam a ocorrer na cidade e desaparecimentos inexplicáveis fazem com que os garotos percebam que aquele não foi um acidente qualquer, mas algo muito mais aterrorizante do que presenciaram naquela noite.

Esta é a trama de Super 8, o terceiro longa de J.J. Abrams, o roteirista e diretor que já deu ao mundo séries de TV como Lost, Fringe e Alias, além de Missão Impossível III (2006) e Star Trek (2009), seus dois outros filmes.

Talvez o mais nerd dos diretores de sua geração, Jeffrey Jacob Abrams presta um tributo a todas as referências de cultura pop que acumulou durante sua infância e adolescência em Nova York nos anos 1970, tanto na música quanto no cinema.

Com produção de Steven Spielberg, seu ídolo e mentor, o diretor faz de Super 8 uma verdadeira declaração de amor à arte de fazer filmes, resgatando de modo nostálgico um tempo inocente em que também se formava o caráter de uma pessoa através da discussão de valores éticos e morais das personagens refletidas na tela.

Super 8 flerta - sem nenhum tipo de pudor - com os temas abordados por Spielberg em clássicos sci-fi do início de sua carreira, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T. (1982). A reverência que o puplio faz ao seu ídolo, dá a impressão de que Spielberg não é apenas um nome de peso nos créditos de produção, mas sua própria razão de existir.

Além da história muito bem contada, o filme deve grande parte de seu charme ao núcleo jovem do elenco, muito talentoso, porém desconhecido. Talvez à exceção de Elle Fanning, tão boa atriz quanto sua irmã, Dakota.

Joel Courtney faz o papel de Joe Lamb, um menino que perdeu a mãe num trágico acidente na metalúrgica da cidade e vive com o pai, o policial Jackson Lamb (Kyle Chandler), com quem deve reaprender a se relacionar ao longo da história. Joe é especialista em maquiagem e efeitos especiais, o que o torna o braço direito do “diretor” de The Case, seu amigão Charles Kaznyc (o ótimo Riley Griffiths, no papel de alter ego de Abrams). Completam o quarteto o jovem Ryan Lee, na pele de Cary, um moleque viciado em fogos de artifício, e Gabriel Basso, que interpreta Martin, um garoto com aspirações reais de se tornar um ator no futuro.

Todo esse clima de clubinho entre meninos loucos por cinema é abalado de certa forma quando Charles convida Alice Dainard (Fanning) para atuar em seu filme. Surpreendendo a todos com uma performance digna de uma atriz profissional, a loirinha desperta em Joe e Charles uma paixão adolescente, que os hormônios dessa fase da vida fazem a gente achar que são para sempre. Ao mesmo tempo em que traz um novo elemento de tensão para a trama, esse acontecimento é responsável por algumas das cenas mais líricas do filme.

Juntos, os amigos irão viver situações incríveis que os colocam no meio de uma conspiração envolvendo as Forças Armadas, naves espaciais, experimentos do governo e seres extraterrestres.

Ao retratar sua própria infância através de uma história que não traz nada de novo, mas transborda nostalgia, J.J. Abrams brinda seus espectadores, - especialmente aqueles que já passaram dos 30 - com um dos melhores filmes da temporada, lembrando as clássicas produções dos anos 80 que ajudaram a formar toda uma geração.



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