As transformações sofridas pela indústria da moda em período que propiciou grandes criações
No final dos anos 1930 e começo dos anos 1940, a Segunda Guerra Mundial abalou profundamente a indústria da moda, que na época se concentrava em Paris. Uma vez invadida a cidade, Hitler tentou, sem sucesso, transferir a sede da alta-costura para Berlim e Viena. Mesmo assim, muitas grifes fecharam as portas e mudaram suas sedes para outros países. A recessão tomou conta do mundo, e obviamente a moda participou deste contexto.
Os tecidos eram racionados, forçando as mulheres a explorar materiais alternativos. A silhueta masculinizou-se, e jaquetas de corte reto com os ombros acolchoados - influenciadas pelos uniformes militares - dominaram o cenário.
As saias passaram a ser mais justas, economizando material; e as sobras de tecidos eram utilizadas para fazer golas e bolsos de cores diferentes. Com a ausência masculina, as mulheres precisaram, mais uma vez, tomar o lugar dos homens nas indústrias, tornando os cabelos presos uma necessidade. Os chapéus e os lenços serviam como adereço a este penteado, além de disfarçar a falta de produtos que melhorassem o aspecto do cabelo.
Com o final da guerra, surge nos EUA a produção de roupas de qualidade em larga escala, intitulada ready-to-wear. Somado este contexto a defasagem europeia, os americanos começaram a participar mais ativamente na área de criação, garantindo a partir de então seu lugar no panorama global da moda. Mais para frente, Paris iria adotar este estilo de produção, traduzindo-o para prêt-à-porter.
O caminho natural do pós-guerra seria seguir uma linha mais prática, de acordo com a proposta de Coco Chanel. Entretanto, o rumo seguido foi exatamente o oposto: o francês Christian Dior cria, em 1947, o chamado “New Look”, que anuncia a volta do luxo e da feminilidade perdidos durante os anos de guerra. Estava consolidada a base que serviria como referência para a moda dos anos 1950.
Christian Dior e o “New Look”
Christian Dior (1905-1957) transformou a concepção de moda após a Segunda Guerra Mundial. Sua grife de nome homônimo é, ainda hoje, uma das mais influentes no mercado.
Seu início no mundo da haute couture foi ao lado do estilista suíço Robert Piguet. Entretanto, ele foi convocado para a Segunda Guerra, atuando como soldado do corpo de engenheiros, até que, em 1941, voltou para Paris, trabalhando ao lado do criador Lucien Lelong, onde acabou conhecendo aquele que se tornaria um dos maiores nomes da moda, Pierre Balmain.
Com a ajuda financeira de Marcel Boussac, um dos líderes da indústria têxtil, Dior abre sua própria Maison no número 30 da Avenida Montaigne, que se conserva até hoje. Em 1947 apresentou sua primeira coleção, que imediatamente alcançou grande repercussão. A partir desse momento, o nome original “Ligne Corolle” foi deixado de lado, sendo batizada de “New Look” por Carmel Snow, jornalista de moda da revista americana Harper’s Bazaar.
O “New Look” consistia em saias rodadas de comprimento um pouco abaixo dos joelhos. A cintura estava sempre bem marcada e os ombros naturais, diferentemente da década anterior, onde os ombros - bem acentuados - se assemelhavam a um uniforme militar. As luvas, o chapéu e o salto alto completavam o visual. Foi nessa década também que se tornou tendência forrar os sapatos com o mesmo tecido dos vestidos, uniformizando-os.
O final da guerra trouxe os “anos dourados”, uma época de luxo e glamour. A ausência de racionamento de tecidos anunciava o auge da alta-costura, onde metros de tecido eram usados para confeccionar um único vestido. Paris continuava ditando as regras da moda, mas a Inglaterra e os EUA, este com o ready-to-wear, começam a impor suas próprias interpretações sobre o que era produzido na França, aderindo ou não às tendências.
A importância da televisão: as atrizes de cinema
A televisão começou a se difundir nesse período, e, em 1954, a rede norte-americana NBC trouxe a TV em cores para o país, o que influenciou diretamente na moda da época.
Com a popularização do veículo, mesmo que em preto e branco, as pessoas passaram a ter acesso à vida das atrizes americanas. O casamento de Grace Kelly com o príncipe Rainier de Mônaco foi transmitido em 19 de abril de 1956, fazendo com que seu estilo fosse rapidamente copiado pelas americanas.
Duas vertentes de beleza feminina podem ser identificadas na década de 1950: as “ingênuas chiques”, exemplificadas por Grace Kelly e Audrey Hepburn; e as pin-ups, como Rita Hayworth. Marilyn Monroe e Brigitte Bardot surgem nessa época como um híbrido entre os dois padrões de beleza: uma ingenuidade sensual.
Com o final da guerra - e com os homens retornando a seus empregos antigos, os valores tradicionais voltaram: os casamentos aconteciam cedo, e a mulher dos anos 50, além de bem vestida e bem cuidada, deveria ser uma boa mãe, esposa e dona de casa.
A democratização da moda
No final dos anos 1950, a alta-costura começou a perder terreno, à medida que pessoas comuns puderem ter acesso a criações de qualidade e participar do restrito mundo da moda.
Em 1955, as tradicionais revistas Elle e Vogue anunciaram o ready-to-wear americano, dando início de fato a uma transformação no cenário.
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