Informações sobre a mais importante publicação de Angelo Agostini
Após desligar-se de O Mosquito, Agostini passou alguns meses elaborando a Revista Illustrada, que começou a circular em 1876. Nesse período, diversas mudanças políticas e econômicas estavam em curso na Corte imperial e em todo o país. Pode-se dizer que o período compreendido entre a chegada de Angelo Agostini ao Rio de Janeiro, em 1867, e o início da publicação da Revista Illustrada, em 1876, situa o início da decadência do regime imperial no Brasil. Os processos sociais que aconteceram na época, como a Guerra do Paraguai, a questão do elemento servil e também questões religiosas influenciaram os trabalhos de Agostini. Por sua opção, a publicação manteve-se independente na elaboração de desenhos e textos, contrastando com a postura de seus concorrentes à época. Assim, por meio da Revista Illustrada, o cartunista pôde direcionar sua crítica a todas as esferas da sociedade, exercitando um jornalismo não subordinado a interesses externos.
Agostini comandou a Revista Illustrada durante doze anos, presenciando diversos momentos conturbados da vida nacional. Seu trabalho consistiu na publicação de mais de dois mil desenhos, o que o caracterizou como um cronista visual que documentava o cotidiano brasileiro. Isso não impediu que estivesse constantemente envolvido em diversas polêmicas, atacando instituições e ideologias. A Revista Illustrada teve tamanha repercussão, conquistando uma enorme proeminência, que durante boa parte de sua existência, conseguiu sobreviver sem precisar recorrer a nenhum anunciante ou requerer algum subsídio oficial.
A “folha” do italiano não se diferenciava de suas demais congêneres da época, possuindo oito páginas, sendo quatro de textos e quatro de ilustrações. Os principais assuntos giravam em torno dos debates em pauta no período compreendido entre o final do Império e o início da República. Além disso, vale lembrar que o objetivo principal enunciado na primeira edição prenunciava um periódico predisposto a “falar a verdade, sempre a verdade”.
A maior notabilidade adquirida pela Revista Illustrada, contudo, deu-se por meio da intensa campanha abolicionista que aparecia em suas páginas sempre em caráter emergencial. O periódico defendia projetos de libertação e combatia parlamentares escravocratas. A partir de 1886, as críticas à escravidão crescem e esta questão passa a ser de ordem pública. Seus desenhos demonstravam a crueldade das torturas e assassinatos cometidos contra os escravos, representando o completo domínio de técnicas dramático-narrativas, que promoviam intensa indignação por parte dos leitores.
Angelo Agostini, ao que tudo indica, conduziu seus desenhos na Revista Illustrada até a edição de número 510, do dia 18 de agosto de 1888. Saindo do país, Agostini foi para a Europa, estabelecendo-se na cidade de Paris, na França, por seis anos. Quando partiu do Brasil, o artista piemontês estava no auge de seu prestígio abolicionista.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.