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29/08/2011 - 18h08 - Atualizado em 22/05/2012 - 20h16

O grande pioneiro da arte gráfica no Brasil

Vanessa Magdaleno Vieira e Ricardo Rossetto, 1º ano de Jornalismo

A história do italiano que foi responsável por grande parte da produção artística dos primeiros jornais brasileiros

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Divulgação
O cartunista em fotografia tirada há 135 anos,
quando ocorreu o lançamento da Revista Illustrada

Quem foi Angelo Agostini? Ao ouvir falar sobre esse nome em estudos sobre a história da comunicação, muitos se lembram apenas de seu trabalho como cartunista. No entanto, ele é considerado o artista gráfico mais atuante na imprensa brasileira na segunda metade do século XIX. Agostini nasceu em Vercelli, província de Piemonte situada ao norte da Itália, em 8 de abril de 1843. Logo depois, ele se deslocou para Paris, onde cresceu e concluiu os seus estudos. Aos 16 anos, partiu para o Brasil junto de sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini. E não demorou muito para que iniciasse os seus trabalhos artísticos, que iriam acompanhá-lo ao longo de sua vida.

De 1864 a 1866, tornou-se o principal ilustrador da revista Diabo Coxo na capital paulista e colaborou para outro periódico, chamado O Cabrião. As duas publicações tinham como temas recorrentes a crítica aos costumes provincianos e a Guerra do Paraguai, que receberam as ilustrações de Agostini. Três anos depois, o cartunista mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar na revista O Arlequim. A experiência contribuiu para que ele idealizasse, junto de seu padrasto Augusto de Castro, o jornal A Vida Fluminense, fundado em 1868. Foi nessa ocasião que ele atuou como o principal desenhista e iniciou a sua produção de histórias em quadrinhos, que era uma novidade na época.

A carreira do italiano em A Vida Fluminense, entretanto, foi curta. Em 1872, Ângelo Agostini assumiu a direção artística do periódico O Mosquito, criado por Cândido Aragonés Faria. A publicação autodenominava-se como um “jornal caricato e satírico” e, dessa forma, não tinha grandes pretensões com uma tiragem contínua durante sua existência, contando com poucas interrupções.

Depois dos 30 anos de idade, ele começou a atingir a maturidade artística tanto nas técnicas de desenho quanto na edição do material jornalístico publicado. O artista passa a ter plena ciência de seu papel social, atuando contundentemente a favor da abolição dos escravos, prenunciando sua estreita ligação com o Partido Liberal. Após poucos números veiculados, Agostini toma conta do jornal, que até então havia sido mantido praticamente em função de suas artes gráficas. De acordo com a análise de sua biografia, o artista parece ter se tornado um dos sócios de O Mosquito, que, sem maiores explicações, encerra suas atividades no dia 4 de setembro de 1875, na edição 312.

Após desligar-se de O Mosquito, Agostini passa alguns meses elaborando sua mais importante publicação: a Revista Illustrada, que teve a participação do cartunista desde o início de sua circulação, em 1876, até o fim, que ocorreu em 1878. Saindo do país, foi para a Europa, estabelecendo-se na cidade de Paris, capital francesa, durante seis anos. Quando voltou ao Brasil, o artista piemontês estava no auge de seu prestígio abolicionista e veio à capital fluminense porque havia engravidado Abigail de Andrade, sua aluna de pintura, que tinha na época 16 anos. Como na época o cartunista tinha 45 anos, houve grande pressão por parte da família da jovem. A situação fez com que ele se separasse de sua esposa, Maria José Palha, que era ascendente de família monárquica.

Ao retornar em outubro de 1894 à capital do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro, o caricaturista juntou recursos financeiros para que, em janeiro do ano seguinte, pudesse lançar uma nova publicação, denominada Don Quixote. Agostini tinha dedicado uma grande parte de sua vida em desenvolver um estilo, mas a partir de então o artista começou a ver o seu trabalho como obsoleto em relação à agilidade dos jornalistas para a apreensão de novas técnicas. Além disso, o valor muito elevado da litografia impedia a presença de fotografia no jornal, o que já estava acontecendo em outras publicações nacionais.

Em Don Quixote, Agostini toma partido de ideias que podem ser analisadas atualmente como elitistas e preconceituosas. Após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, houve censura a qualquer opinião contrária aos atos dos republicanos. Os novos artistas gráficos são referenciados pelo que é difundido na Europa e o jornalismo passa a ser empreendimento de grandes companhias, com o aumento da população carioca em 1888. Após o agravamento da situação econômica devido à febre especulativa do início da República, a população fica mais pobre e as levas de ex-escravos, trabalhadores sem ocupação definida e imigrantes formam a classe que procurará os novos trabalhos livres, nascidos da Lei Áurea.

A revista Don Quixote termina em 1903 e, em meados de 1904, Agostini começa a trabalhar assalariadamente para O Malho. O italiano então passa de pequeno empresário para funcionário de grande companhia jornalística. Em O Malho, as aventuras de Zé Caipora foram retomadas e, nesse mesmo momento, o caricaturista começa a colaborar principalmente na confecção de idéias para o magazine Tico-tico

A partir do ano 1907 as publicações de Agostini se tornaram mais raras e vieram a cessar por completo em 1909. E não era só um sinal do fim da carreira profissional, mas da própria vida do artista. No dia 23 de janeiro de 1910, Angelo Agostini fecha os olhos que tinham visto grande parte da história do Brasil. Na data, ele é homenageado por várias publicações como o Jornal do Commercio. E o reconhecimento continua até hoje, pois o legado que ele deixou sempre será eterno.



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