Na abertura do 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral, as discussões sobre “Madame Satã” evocam o homossexualidade e a malandragem
Começou hoje, dia 22 de agosto, o 9º Ciclo de Cinema de Cultura Geral com o tema O Negro Brasileiro. Foi exibido Madame Satã (2002), filme inspirado na história real de João Francisco dos Santos, vivido nas telas por Lázaro Ramos. A narrativa aborda principalmente as temáticas do negro, do homossexualidade e da malandragem. Foram convidados para a mesa de debate os professores da Cásper, Silvio Henrique Barbosa, Sandra Goulart e Cláudio Arantes, além do aluno Hector Castanho Modesto, do 2º ano de Relações Públicas.
Depois de assistirem a uma obra forte, que trata de temas ainda atuais, alunos e professores discutiram durante mais de uma hora os principais aspectos de Madame Satã.
O primeiro a falar foi Hector Modesto, que elogiou o filme e sua ótima fotografia. A professora Sandra, por sua vez, frisou a relação que a personagem João Francisco dos Santos estabelece com o Brasil e do Rio de Janeiro: uma história de urbanização e modernização, no contexto do surgimento do samba, de nascimento das favelas e cortiços e de exaltação da malandragem. Silvio Henrique deu ênfase à figura heroica que Madame Satã criou e à discussão do homossexualismo, ainda vigente nos dias de hoje.
Discutiu-se muito a questão da homossexualidade que aparece claramente no longa-metragem. Sílvio destacou a característica enigmática do filme por tratar de um tema de forma um tanto quanto explícita. Em uma cena, acontece um beijo entre dois homens, “o que ainda não aconteceu nas novelas”, lembrou o professor. Fugindo um pouco do filme em si, falou-se também do incômodo que as pessoas sentem ao ver cenas entre homossexuais.
Chegada a vez dos alunos levantarem questionamentos, a aluna Fernanda Pestana, do quarto ano de Jornalismo, ressaltou o estereótipo criado sobre os gays. Ela se mostrou surpresa com a falta de informações sobre o João Francisco dos Santos que existiu na vida real.
O primeiro dia do 9º Ciclo de Cinema conseguiu abordar diversos aspectos do tema O Negro Brasileiro. Madame Satã mostra, como observou Silvio Henrique, uma “figura de todas as impossibilidades: pobre, negro, analfabeto e homossexual”.
Amanhã (23), o Ciclo de Cinema continua com a exibição de Quilombo, às 12h30, na Sala Aloysio Biondi. Dentre os debatedores, estará presente um dos atores do filme, Eduardo Silva.
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