“Onde Está a Felicidade?” copia fórmula de sucesso, mas mesmo assim não agrada
“Nada se cria, tudo se copia”. Por mais exagerado que seja o ditado popular, não podemos negar que, muitas vezes, esse é o caso. Remakes e adaptações se tornam únicos utilizando trabalhos anteriores, mas é a maneira como eles reciclam as ideias que define o sucesso da nova produção. Porém, Onde Está A Felicidade?, com direção de Carlos Alberto Riccelli e roteiro de Bruna Lombardi, erra na receita e acaba por deixar um gosto familiar na boca - o do filme Comer, Rezar, Amar, baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert - e nada mais.
O casamento de Teodora (Bruna Lombardi), uma chef apresentadora de um programa de culinária, e Nando (Bruno Garcia), jornalista esportivo, ficou monótono. No entanto, a rotina do casal muda de uma maneira indesejada - além de ter sua atração na TV cancelada, Teodora descobre que o marido têm relações extraconjugais no mundo virtual. Então, ela decide que a melhor maneira de reavaliar a sua vida é caminhar os 790 km de Santiago de Compostela, enquanto Nando fica em casa, tentando se tornar um homem merecedor de uma segunda chance.
Munida de seu salto alto, guarda-chuva e mala de rodinhas, Teodora começa a peregrinar. A única coisa que se esqueceu de levar foi o bom senso. As piadas sobre a perua que não deixa o luxo de lado, nem mesmo em uma longa caminhada, não convencem. E mesmo os seus companheiros, o diretor do seu programa recém-cancelado (Marcello Airoldi) e a espanhola Milena (Marta Larralde), que deveriam entreter a plateia com sua relação de amor e ódio, deixam a desejar.
Mas a melhor parte fica aqui no Brasil. O ponto alto são as tentativas de Nando de se tornar uma pessoa melhor, assim como as investidas dos colegas de trabalho para lhe transformar em um solteiro melhor. As semelhanças com Comer, Rezar, Amar são evidentes: a mulher de coração partido que decide fazer uma viagem espiritual em busca da própria felicidade, que o melhor do filme fica por parte do marido, original em relação ao filme americano.
Se a tentativa de Onde Está a Felicidade? foi fazer uma sátira com o filme anterior, a ideia não foi bem realizada. Mesmo o final diferente, bem mais clichê, não consegue apagar as similaridades entre as duas produções. A reciclagem de ideias não conseguiu transmitir uma mensagem nova, deixando a obra marcada pelo passado. O mais interessante de todo o longa é a trama do marido, mas essas poucas cenas não valem o ingresso do cinema, por isso espere passar na sessão da tarde.
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