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17/08/2011 - 14h37 - Atualizado em 23/05/2012 - 19h03

O show da realidade

Ítalo Fassin

A história de um homem criado pela mídia para fazer parte de uma atração televisiva

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Reprodução
O longa analisa os reality shows e a relação do público
com os personagens mostrados na tela

Quando a ficção passa a ter o mesmo sentido que a realidade é sinal de que o universo do entretenimento televisionado ultrapassou os limites da criação e atingiu a vida privada dos cidadãos comuns. Show de Truman: o show da vida (1998) é um filme que trata exatamente dessa transposição de fronteiras e apresenta o mundo dos reality shows como parte integrante e quase natural do cotidiano das pessoas. Quase natural porque o enredo do filme insere no personagem principal um resquício de sensibilidade humana capaz de separar a racionalidade da alta exposição que humaniza o protagonista.

Peter Weir comanda a direção do filme e traz uma visão ampliada do comportamento dos programas de TV e reality shows construídos à base da exposição pessoal exagerada e o julgamento alheio. Com aproximadamente 103 min de duração e roteiro de Andrew Niccol, o filme lançado em 1998 conta a história de Truman Burbank (Jim Carrey), um vendedor de seguros que tem sua vida vigiada por milhares de câmeras desde o seu nascimento e transmitida 24 horas por dia em um canal de televisão. O único problema é que o próprio Truman não faz ideia que vive cercado por câmeras e que sua vida é televisionada para todo o planeta, transformando sua hs no mais bem sucedido e original reality show.

Os habitantes da cidade são atores contratados e o cenário (céu com todas as intempéries naturais) foi construído estrategicamente como uma grande ilha cenográfica para hospedar a nova invenção do criador do programa, Christof (Ed Harris). Este argumenta que o seu projeto corresponde ao reality show ideal, na medida em que o participante desconhece que é peça central do programa e que, por este motivo, age naturalmente e experimenta as emoções reais que compartilharia normalmente com qualquer pessoa. Entretanto, Truman fica privado da liberdade que todos ao seu redor têm, transformando-se em um objeto manipulado pela mídia para atender a audiência.

Já assistimos à exposição desnecessária e à animalização do comportamento humano em programas de TV com o consentimento dos integrantes. Mas impedir que uma pessoa tenha conhecimento de que sua vida está sendo exibida é ultrapassar a barreira da ética. Ao longo do filme, Truman capta detalhes que o fazem notar que algo está muito errado, afinal, seria difícil manter um indivíduo fechado dentro de uma ilha durante toda uma vida. O clímax do filme é apresentado quando Truman enfrenta o mar em um barco para sair da ilha fictícia e esbarra com as paredes que delimitam o ambiente. Neste momento de fuga, o criador do show tem a chance de convencer a sua cria a permanecer no local e Truman se vê diante de duas escolhas: permanecer naquele mundo fictício onde todas as situações são previamente planejadas com o final esperado ou conhecer o mundo real, livre de vigilâncias e de todas as câmeras.

Ao dirigir este longa-metragem, Peter Weir compara o contexto dos reality shows com a própria realidade em que estamos inseridos. A semelhança entre as duas realidades chega a ser tão notável que Truman leva anos para perceber que é peça de um jogo manipulado e que é vítima da paixão descabida da sociedade por atrações referentes à vida do outro. Com isso, Weir traz à tona a busca desenfreada por audiência das grandes redes de televisão que constroem a identidade desejada para suas “marionetes humanas”. Com atuação de destaque, Jim Carrey prova que pode fazer mais do que filmes de comédia e pode sim se aventurar em roteiros melodramáticos. Mas a maior prova de Show de Truman é a de seu protagonista: o direito de escolha pelo lado humano e sensato que deve existir não só nas estrelas dos realities, mas também nos espectadores de todo o mundo.

 

Divulgação

 

O Show de Truman

Paramount Pictures

DVD



Comentários Comentários Postados
alexandre[31/08/2011 - 16:55]

Os reality shows da vida real mostram como a opniao publica e facilmente manipulada....atraves da ediçao dos capitulos,sao contruidas personalidades artificiais dos participantes(o vilao,o sensivel,o falso,etc)

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