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12/08/2011 - 17h32 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h22

Alfredo Bosi abre o ciclo de palestras Literatura e Cidadania

Por Flávia Sartori, aluna do 2º ano de Jornalismo

O professor falou sobre a relação intrínseca entre literatura, política e ideologia

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Reprdoução

O poeta e um dos curadores do evento, Tarso de Melo,
fala ao lado do professor Alfredo Bosi

A relação entre produção literária e política é um desafio ingrato: não porque são elementos díspares, mas, pelo contrário, estão interligados de tal forma que tentar definir onde começa um e termina outro é como percorrer um caminho tortuoso.

Porém, essa foi a proposta do projeto Literatura e Cidadania, que deu início, na última quarta-feira (10), a um ciclo de palestras e oficinas que continuam até o fim do mês na Casa das Rosas. Entre os palestrantes estão grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, como Carlos Felipe Moisés, e teóricos literários, como Alfredo Bosi.

A abertura do ciclo não poderia ser, senão, com um dos ícones da produção e crítica literária brasileira, o historiador e professor da USP, Alfredo Bosi. Essa foi sua primeira palestra na Casa das Rosas e teve um público de mais de cem pessoas. Entre a grande quantidade de títulos do escritor, estão História Concisa da Literatura Brasileira (Cultrix, 1970); Literatura e resistência (Companhia das Letras, 2002) e sua obra mais recente, Ideologia e Contraideologia (Companhia das Letras, 2010). Bosi abordou em sua palestra a função da poesia e da política, bem como suas semelhanças e diferenças e a importância da palavra “ideologia”.

Segundo Alfredo Bosi, a função da poesia está intimamente ligada à da política. “A da poesia é de transformar o mundo alterando consciências por meio de uma criação imagética e da política é de modificar o mundo a partir da ação”, afirma Bosi. Ambos os universos se relacionam de tal forma que a poesia pode servir de instrumento para resistir a uma ideologia dominante, fazendo com que o sujeito transcenda sua consciência e saia em protesto, invadindo o âmbito político.

A idéia de que existe uma ideologia dominante, de acordo com o professor, pertence à construção mais precisa do significado da palavra “ideologia”, ou seja, o de “mistificação, racionalização dos interesses que a classe dominante de determinada época julga como universais”. Para Bosi, essa explicação pressupõe que não existe uma ideologia única, mas várias que se alternam como dominante à medida que a estrutura social é modificada - e que em certa medida são chamadas de contraideologias.

Segundo o professor, o que é importante ao analisar os dois tipos de universo é que ambos são atributos do homem e se complementam, apesar de suas diferenças funcionais.“Não existe uma só ideologia de um autor assim como não existe uma só da época, pode existir um ideário, mas não uma ideologia”, explica. 

Ou seja, para Bosi, assim como existem as fraturas de pensamentos políticos, existem estilos dentro da poesia que rompem com a tendência e abrem as portas para novas ideias que podem se tornar ideologias.



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