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08/08/2011 - 10h00 - Atualizado em 20/05/2012 - 22h54

Bom moço na trama errada

Por Camila Smid, aluna do 1° ano de Publicidade e Propaganda

Adaptação de HQ decepciona em sua versão para as telonas

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Reprodução
Brandon Routh dá vida a Dylan, personagem que
funciona melhor nas HQ's de Tiziano Sclavi

Um filme feito com o propósito de se tornar um Blockbuster nem sempre - ou quase nunca - alcança as expectativas nos quesitos criatividade e qualidade. Antes de assistir ao filme Dylan Dog e as Criaturas da Noite, (do diretor Kevin Munroe, de As Tartarugas Ninja) é inevitável que a primeira observação ao ver o cartaz de divulgação seja: “Olha só! É o Super-Homem!”.

O rostinho marcante de Brandon Routh, sem dúvidas, é automaticamente relacionável ao super-herói predileto do mundo. E talvez a intenção das primeiras cenas seja justamente acabar com esta impressão de bom moço do ator, mostrando-o com roupas surradas, dormindo no próprio escritório e sendo abordado com uma arma apontada para sua cabeça. Mas o resto do filme, por mais que tente, não consegue manter esta imagem. Ao contrário: o protagonista vai se tornando cada vez mais parecido com um mocinho de novela das oito.

O longa deveria ser uma adaptação da HQ homônima, do italiano Tiziano Sclavi, mas acaba por se parecer muito mais com uma “nova versão” da história. O clima londrino dos quadrinhos originais fora substituído pelas ruas de Nova Orleans; o fiel escudeiro Marcus (Sam Huntington), braço direito do protagonista do filme, não é, nem tem relação alguma, com o personagem cômico Groucho, parceiro original de Dylan na HQ.

A única coisa que podemos certificar que se assemelha muito com os quadrinhos é a forma inusitada de manter o suspense na narrativa. As histórias de Sclavi (que recebeu uma homenagem no filme, através de um personagem que recebe seu nome) eram constantemente repletas de explicações não dadas e dúvidas jogadas nas mãos dos leitores para que cada um tirasse suas conclusões. No longa, também existem estas lacunas para que o desfecho surpreenda o espectador, mas uma ou outra falha leva-nos a prever tudo o que vai acontecer a partir dos 45 primeiros minutos de longa.

Uma última falha que não pode ser ignorada é a maquiagem do filme. Talvez a intenção da equipe fosse justamente deixar os lobisomens semelhantes ao do longa O Lobisomem (1941), e os vampiros fazendo referência visual clara a Nosferatu (1922), o que nos passa a desagradável impressão de máscaras de borracha e caninos de plástico que ninguém tentou disfarçar. Os zumbis, porém, que têm um papel cômico e não precisariam ser necessariamente assustadores, são convincentes o tempo todo, até nos menores detalhes.

Mas, infelizmente, quando o ápice da obra finalmente chega e o protagonista se depara com seu grande desafio, é possível concluir o quão familiares são todas aquelas cenas para qualquer um que já tenha visto um vilão de borracha da série Power Rangers.



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