Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Artigos

03/08/2011 - 15h12 - Atualizado em 21/05/2012 - 21h56

Por dentro do YouPix

Francini Vergari , 2º ano de Jornalismo

Festival discute sobre opapel das redes sociais nas esferas públicas

Compartilhe:


O Festival YouPix, centro de discussões sobre temas ligados à internet, atraiu mais de 4 mil “seguidores” no Porão de Artes do Ibirapuera e aconteceu nos dias 26, 27 e 28 de abril gratuitamente para todos os maiores de idade que fizessem a inscrição no site. Nos três dias do evento, o público pode debater conceitos sobre cultura de internet, que ainda são indefinidos e se modificam a cada clique.

As redes sociais são o assunto do momento, podendo ser interpretadas como algo que possibilita interação e aproximação entre as pessoas, e até mesmo como vilãs, que podem servir de suporte para criar manifestações, cometer crimes, entre outras atividades, como homofobia, pedofilia e racismo. Pesquisas indicam que cerca de 460 mil novas contas são feitas no Twitter por dia, o que reforça a relevância do microblog. Este dado, porém, não é uma verdade absoluta.

Cristiano Dias (@crisdias), tecnólogo criativo na agência de publicidade JWT, acredita que “as pessoas se baseiam no que é falado nas redes sociais e se esquecem de que aquelas opiniões não revelam a opinião de toda a população nem de todos os usuários das redes”. Ele ainda completa dizendo que “a mídia social tem um retorno pequeno diante do poder de influência que possuem os veículos tradicionais. Para as mídias convencionais, as redes e os blogs funcionam mais como fonte de talentos e tendências, é quase uma maneira para checar notícias e perfis.  Se a mídia social não tivesse falado tanto sobre alguns assuntos, a tradicional não discutiria sobre eles”. Durante a Copa do Mundo de 2010, o assunto mais comentado no Twitter foi a piada “Cala Boca Galvão”, feita ao narrador da Rede Globo, Galvão Bueno. O comentário logo foi parar nos tópicos mundiais e causou agitação internacional quando começaram a espalhar que “Galvão” era um pássaro brasileiro em extinção e “Cala Boca” significava “Salve”. O tema foi tão propagado que ganhou uma capa na revista Veja.

Os brasileiros estão gastando em média 5 horas por mês em redes sociais e mais de 2,6 milhões atualizam diariamente seus blogs. O crescente uso das mídias sociais facilita a discussão de diversos temas e, com isso, aumenta o número de figuras que vêm para incomodar a todos, inclusive jornalistas: o troll. Wagner “MrManson” Martins (@mrmanson), sócio criativo da Espalhe Marketing de Guerrilha (ANTIGA Cocadaboa), ajudar a explicar quem são os trolls: “Surgiram para destruir a tentativa de direcionar um debate e, diferente dos polemistas, são anônimos e só querem atrapalhar. Eles criam uma identidade falsa para ter mais liberdade para provocar até tirar alguém do sério.” M exemplo que ficou conhecido, foi Israel Nobre, o Izzy Nobre, que hoje mora no Canadá, é blogueiro e criou a comunidade Semeadores da Discórdia, no Orkut, em 2004: “A ideia era injetar uma algo estapafúrdio num debate como se fosse uma opinião real e observar a reação revoltada dos participantes”, conta Izzy.

“Coberturas jornalísticas que parecerem parciais, ou que emitam uma opinião que de algum modo incomode, com certeza serão alvos dos trolls”, explica Ana Brambilla (@anabrambilla), jornalista e editora de social media, que viu de perto jornalistas que foram vítimas de provocações por causa de reportagens publicadas nas últimas eleições e dá uma dica: “É melhor não alimentar os trolls, não responder. Ignore-os. Não dá pra competir com eles”.  

Outra responsabilidade que vem com as mídias sociais é a de que as pessoas mais influentes são vistas como veículo de informação e acabam perdendo a personalidade. Exemplos próximos disso são os jornalistas demitidos por expressarem, em seus perfis pessoais, opiniões que envolvam ou prejudiquem a empresa onde trabalham. Como foi o caso do jornalista Alec Duarte, editor-assistente de política da Folha de S. Paulo, e a repórter Carol Rocha, do Agora SP, que foram demitidos do Grupo Folha por postarem comentários no Twitter a respeito do jornal. Os dois comentavam a morte de José Alencar, ex-vice-presidente da República, que morreu no dia 29/3. 

Carlos Cardoso (@cardoso), escritor, publicitário, É conhecido na web por polemizar assuntos E a: “Temos de tomar cuidado com o que escrevemos. Quem tem uma opinião polêmica é melhor ficar calado”. Cardoso acredita que algumas coisas não precisam ser ditas. É o caso daquelas que já sabemos, antes de publicar, que serão contestadas pelos leitores, ou daquelas que dão margem para dupla interpretação. “O uso de uma palavra ou outra já pode alterar todo o sentido e causar uma polêmica que não era intencional”, arremata Cardoso.
As redes sociais vão desde as redes de relacionamento às profissionais (é caso do Linkedin, site que reúne e apresenta conteúdo para atualização profissional, dá dicas de como melhorar o desempenho e agrupa os cadastrados por afinidade) e comunitárias, como o jornal Voz da Comunidade, do jovem René Silva, que foi nacionalmente revelado quando René tuitou o que acontecia durante a invasão dos policiais no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2010. (@vozdacomunidade).

Operam em diferentes níveis, que podem ser acessados por qualquer pessoa depois da disponibilização de um conteúdo na internet. Essa democratização carrega com ela conteúdos dos mais variados grupos sociais, que são compartilhados dentro das redes, tomando dimensões gigantes em alguns casos. E é para dentro dos conteúdos compartilhados que olham os profissionais ousados e dispostos a acompanhar, sem descanso, o que acontece nesse meio infinito: a internet.  



Comentários Comentários Postados
bia granja[07/08/2011 - 10:58]

oi gente, super obrigada pela materia. tem só uma correcao importante - foram mais de 4 mil pessoas no evento e não 400. :) bj

Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.