Ansiedade, pensamento apressado que corre ruminante atrás de uma pista qualquer. Algo que inspira, instiga, alimenta a curiosidade, faz incessante a busca por traduções e detalhes.
Reflexo da infância, é fofoca de escola, mentira contada, cor de calcinha e menino que gosta. É admirador secreto na folha em cima da carteira. É o menino que chora. É diário escondido na gaveta.
Se trancar no banheiro e usar o batom da mãe, misturar os perfumes na casa da tia, ver vídeo pornô sozinho em casa, furtar chiclete da padaria.
“Boquinha de siri!”- dizem os pais.
Passar o zíper na boca e jogar a chave fora – fazem os filhos.
Reflexo do cotidiano, é promessa a dois, laços jurados eternos no para-todo-o-sempre de uma madrugada. É o beijo roubado, namoro proibido, sexo na escada, coração partido.
É a noite passada, os copos virados, os corpos misturados, o branco, “Não conta não!”. É a hora extra, a dor de cabeça, a traição.
É o dinheiro pras drogas, o dinheiro público na cueca, o pacto político, e o jatinho particular. É o voto direto do analfabeto e o “voto de cabresto”, no espetáculo bianual.
É senha de banco, maçonaria, número de Mega-Sena e gabarito de vestibular. É escorregão em público, trabalho copiado, menstruação atrasada, remédio pra emagrecer em dois dias.
É data de casamento, é o nome do bebê, é o salário desse mês. É a dívida não paga, a história inventada, “o eliminado da vez”.
Existe nas crianças, e nos adultos, é pra ladrão, é pra corrupto. Apoio pro envergonhado, pro amedrontado e pro culpado. Está presente naa timidez, na insensatez e em pra uma dose de embriaguez.
É frequente, está presente no dia-a-dia, aquilo que nunca-ninguém-pode-imaginar. “Segredo de Estado”, promessa de dedos cruzados; “Não conto nem morto”, “não vou mais falar”.
É quebrado com a vontade de gritar, de expelir de si todas aquelas informações impostas e trancadas, com todo o desejo apressado de revelar.
“Um segredo de verdade!”, “Um estouro de notícia!” – “Mal posso esperar para publicar!”
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