Enquanto a equipe de alunos-repórteres do Esquinas desvendava alguns segredos do nosso tempo, fazendo entrevistas e escrevendo suas matérias, um fenômeno curioso acontecia: o assunto começou a aparecer estampado na capa de várias revistas de banca. Na redação, até comentávamos entre nós a tamanha coincidência. Claro, houve aqueles que desconfiaram de vazamento de informação. Mas logo na sequência, um outro segredo veio à tona e ressaltou a importância do tema que tínhamos escolhido. Pego com a boca na botija, Dominique Strauss Kahn não aguentou as revelações de seus atos na suíte de um hotel novaiorquino e perdeu o emprego no FMI — e um possível mandato presidencial na França.
A coincidência tem certamente um motivo, já que não há mistérios na face da terra. Basta pensar nesse tumultuado começo de século: com as redes sociais, tão em voga, a noção de privacidade como que sofreu um abalo. Num passeio rápido pelo Facebook, por exemplo, podemos encontrar muitas pessoas revelando mais do que escondendo. Assuntos privados ganham circulação pública, e até mesmo um namorico escondido acaba sendo compartilhado. Em alguns casos, o Facebook ocupa a função da janela espiã das velhas fofoqueiras de bairro, que não pensavam duas vezesem dar com língua nos dentes.
Um outro fato, e de grande relevância, foi o escândalo pessoal de Julian Assange, o criador do WikiLeaks. Ele que vinha (e continua) revelando segredos de Estado, criando verdadeiro mal-estar na desumana política internacional, virou manchete por causa de um escorregão na vida sexual. A notícia correu mundo, gerou capas de jornais e revistas, com o tratamento típico que se dá aos casos escandalosos de celebridades do momento. Claro que a trombeta em torno do caso (sem entrar em considerações legais) tem um objetivo: enfraquecer toda ação política de seu site, que vem disponibilizando documentos explosivos.
Para nós, esses casos serviram de ponto de partida para pensar este número da revista. O caso Assange e seu WikiLeaks ocupam dez páginas desta edição. Não poderia ser diferente. Mas também procuramos levantar outras pautas que envolviam a palavra segredo, como a vida dos espiões e detetives, os cantos escondidos da cidade de São Paulo, as sociedades secretas, as expressões em língua portuguesa que se relacionam ao segredo e a privacidade devassada por câmeras de segurança e outras revelações do que estava guardado a sete chaves.
Eis aqui, nas 72 páginas desta revista, alguns desses segredos revelados.
Comentários Postados
Parabéns à equipe de redação pelo tema escolhido. Fiquei honrado em colaborar, como fonte, para explicar expressões sobre segredo.na página 64. Neste mundo, não há mais segredos, a privacidade está ameaçada. Aliás, as pessoas gostam de se expor, pelas redes sociais. Não acredito em segredos. Eu tinha um. Não posso contar; é segredo. Esqueci dele, morreu sem ser revelado, portanto nunca existiu. A curiosidade mata. Por que tanta atração pela vida privada? O mundo passou a ser cenário de câmaras indiscretas em todos os locais. Abraços Professor Ari Riboldi, de Porto Alegre -
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