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02/08/2011 - 13h33 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h13

Dez anos de Is This It

Por Izabela Costa, aluna do 2º ano de Jornalismo

O debut da banda nova-iorquina The Strokes completou uma década de vida em julho - uma década em que o rock’n’roll foi drasticamente modificado

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Reprodução

A banda americana trouxe a essência do rock de
volta aos fãs do gênero com Is This It

Revoluções não costumam acontecer da noite para o dia. Levam tempo para serem formuladas, anos para serem colocadas em prática e gerações para terem suas principais mudanças e atitudes compreendidas por completo. Revoluções fazem parte do caminhar da humanidade e, sem elas, viveríamos imersos numa mesmice sem precedentes.

No começo deste milênio, lá no ido ano 2000, a história da música se preparava para mais uma revolução. Orfãos de pai, mãe e irmãos, os amantes do rock’n’roll se viam à deriva, sem muito ao que se agarrar - exceto pelos grandes dinossauros das décadas anteriores e um ou outro nome contemporâneo. O britpop era o que se tinha de mais concreto, mesmo respirando com a ajuda de aparelhos.

Foi então que cinco rapazes nova-iorquinos, magrelos e com um style guide rigorosamente defendido apareceram. Julian Casablancas, Albert Hammond Jr., Nicolai Fraiture, Nick Valensi e Fabrizio Moretti - os Strokes. Vestindo calças jeans surradas e apertadas, o visual moderninho do quinteto ainda trazia tênis encardidos, cabelos sujos e despenteados e a atitude mais junkie possível. O que muitos tinham como fórmula comercial, acabou se mostrando uma fórmula genial.

O EP The Modern Age surgiu como algo nunca antes escutado... Mentira! Pavement, Television, Lou Reed, Ramones e New York Dolls estavam ali, de uma maneira totalmente nova, perfeitamente combinada e sugestivamente palatável. Estavam ali um bando de influências diferentes e importantes; sonoridades bastante conhecidas, mas nunca tão bem reunidas.

Então, no dia 30 de julho de 2001, o álbum Is This It chega ao mundo como um bebezinho rosado para quem antes não tinha família nenhuma no rock’n’roll. Quem o habilmente fecundou foram Ryan Gentles, manager da banda, e Gordon Raphael, produtor que na época trabalhava com bandas exclusivamente independentes.

O hit Last Nite é um dos tantos hinos indies que tivemos no começo da década. O vocal gritante e atropelado de Jules, a bateria rápida e os cachinhos de Fab, o baixo intenso e marcado de Nicolai, além das guitarras “elétricas” de Hammond e Nick, colocam esta canção merecidamente como o símbolo máximo do disco.

Is This It, Soma, The Modern Age e Barely Legal vêm logo em seguida, como exemplos da nova sonoridade que o rock estava presenciando, a qual viria a influenciar outros importantes grupos de rock dessa geração, como Kings of Leon e Arctic Monkeys. Someday, Alone, Together, New York City Cops (nos EUA, When It Started) e Take It or Leave It, por sua vez, traçam um paralelo mais pop (se isso for possível).

Vem na contramão, por exemplo, a instigante Trying Your Luck, que leva um arranjo mais pesado e impactante. Por fim, mas não menos importante, Hard to Explain traz toda a confusão de ideias, tendências, influências e acordes do álbum, atuando deste modo como a faixa mais rebelde e transgressora de todo o Is This It.

De lá para cá, os Strokes se firmaram como uma das mais importantes bandas de rock da última década. O excelente meio termo da carreira, Room On Fire (2003) seguiu-se pelo dark room First Impressions of Earth (2006). O não tão aplaudido Angles saiu em 2011 como prêmio de consolo aos fãs que ficaram cinco anos - de 2006 a 2011 - sem notícias do grupo, devido a um hiato que pareceu interminável.

E de lá para cá os Strokes também mudaram. Is This It marcou época, fez história e opinião. Segundo Alex Turner, frontman da banda inglesa Arctic Monkeys, foi graças aos Strokes que na adolescência ele cortou sua calça jeans e escreveu com uma canetinha vermelha: I’ve got a soul and I’m superbad! [Eu tenho alma e sou muito bravo, em tradução literal].

Os cinco garotos de dez anos atrás hoje são homens, possuem projetos paralelos e não parecem estar mais na mesma sintonia. Mesmo assim já valeu a pena: é só olhar para a década passada e ver  o que eles mexeram na música. Afinal, se estamos falando deles agora é porque algo foi alterado. Ou não é isto?

Como homenagem a banda e a seus respectivos fãs, o site Stereogum produziu um “novo” Is This It. O projeto apresenta as onze faixas originais do álbum regravadas por músicos da atualidade, como o trio sueco Peter, Bjorn & John e a banda Real Estate. Confira o resultado aqui: http://bit.ly/mWHFuq



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