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02/08/2011 - 13h15 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h13

Catástrofe anunciada

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Nova produção apocalíptica do diretor dinamarquês Lars Von Trier é um drama psicológico amparado por belas atuações

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Reprodução
Alexander Skarsgård e Kirsten Dunst na pele de
Michael e Justine. Ao fundo, Charlotte Gainsbourg
como Claire

Em Melancolia, a vida na Terra será aniquilada e, para decretar o começo dessa atmosfera de degradação, o diretor Lars Von Trier escolhe com sabedoria o ritual que marcará o trágico final: um casamento.

No matrimônio entre Claire (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skarsgård), as distintas percepções dos familiares na cerimônia fornecem indícios de que mudanças estão por vir. A suntuosa festa organizada pela irmã da noiva, Claire (Charlotte Gainsbourg), e bancada por seu marido, John (Kiefer Sutherland), é em vão, visto que a união do casal é abalada na própria comemoração.

Justine, que trabalha na área de publicidade de uma grande empresa, sofre de depressão e tem notória recaída durante a festa. As suas atitudes diante de alguns convidados, o desinteresse que demonstra por Michael e a discussão com o seu chefe são algumas demonstrações do drama psicológico da personagem. Após o tumultuado episódio, ela se refugia na mansão do cunhado e da irmã; momento em que surgem os boatos de que um planeta chamado Melancholia colidirá com a Terra, destruindo-a.

O longa é dividido em duas partes. Na primeira, ele está focado na reação de Justine diante de uma possível tragédia. O papel marca a evolução de Kirsten Dunst como atriz, por delinear com maestria a fragilidade de uma jovem que demonstra indiferença em meio ao clima de tensão enfrentado por sua família e, ao mesmo tempo, enxerga o inevitável fim entre suas angústias interiores.

Após manter o foco na protagonista, a obra cede lugar ao desespero de Claire, que se preocupa em proteger o marido (confortado pela Ciência e por estudos divulgados, que descartam a possibilidade de colisão) e o filho, mas não sabe como se refugiar e nem quais são os meios de encontrar uma improvável salvação.

Destaque para o prólogo que exibe um dos mais belos momentos do filme, quando o diretor usa recursos como computação gráfica na representação do planeta Terra e nos cenários onde as personagens aparecem em super slow motion, demonstrando passividade e inércia emocional.

Se idealizado por outro diretor, Melancolia seria apenas mais um filme sobre o fim do mundo, explorando a reação das personagens diante de uma catástrofe anunciada. Porém, Lars Von Trier vai além ao apresentar um drama psicológico amparado pela linguagem audiovisual aplicada (câmera na mão, com frenética movimentação no início da história para captar cada ação e fisionomia dos atores) e pelo inquestionável desempenho de todo o elenco. Reverências a um mestre, que apesar de abusar das declarações polêmicas, consegue ofuscá-las graças a sua inquestionável genialidade.



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