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01/08/2011 - 13h58 - Atualizado em 23/05/2012 - 13h40

Aí sim, fomos surpreendidos novamente!

Bianca Mascara,Beatriz Paiva Mattos de Oliveira,Lucas Besseler de Freitas,Marcella de Souza Merigo,Caio de Jesus Alves (1º ano de JO); Caroline Zilberman,Luana Martins,Lucas Macedo Paulino,Mário Sérgio Cruz da Silva e Ricardo Gonçalves (2º ano de JO)

O esporte também tem seus segredos. Atletas e treinadores contam como lidam com informações sigilosas

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Gazeta Press
Nelsinho Batista destaca a importância de separar a vida pessoal da profissional

Escândalos de doping. Jogos comprados. Problemas de saúde omitidos até o último segundo. Nem só de vitórias suadas e conquistas merecidas é feito o esporte. São muitos os casos de atletas que esconderam fatos importantes a respeito de suas condições físicas, esquema tático, ou até mesmo, de sua vida pessoal. No Brasil o futebol é uma paixão nacional – e também o esporte que atrai mais holofotes e fofocas. “O problema de segredo no futebol é a individualidade de cada um que está convivendo, principalmente dentro da Seleção Brasileira”, conta Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos brasileiros mais experientes em Copas do Mundo.

Campeão do mundo como jogador em 1958 e 1962 e como técnico em 1970, Zagallo estava no comando da seleção brasileira quando passou um dos momentos mais dramáticos da história do nosso futebol. Na Copa do Mundo de 1998, realizada na França, o camisa 9 Ronaldo, um dos principais jogadores do mundial, sofreu convulsões horas antes da partida. “Ronaldo foi para uma clínica e estava vetado para o jogo. Quando retornou, todos os exames estavam 100% e ele entrou no último momento, faltando cinco minutos para o início da partida”, explica o então técnico da seleção. Zagallo escalou Ronaldo, conhecido pela torcida como “Fenômeno”, para a decisão.  No entanto, o eleito melhor jogador do mundo em 1997 pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) , não correspondeu às expectativas,  jogou mal e desestabilizou todo o time. Resultado: 3x0 para o time francês. 

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Ronaldo "Fenômeno" esteve envolvido
na polêmica da Copa de 1998

HERMANO Para o comentarista esportivo Benjamim Back, o caso de Diego Maradona na Copa de 1994 foi um dos maiores escândalos divulgados na mídia. Após a vitória de 2 a 1 dos hermanos sobre a Nigéria, o craque argentino da época foi sorteado para fazer o exame antidoping. Cinco substâncias ilegais foram encontradas em sua urina, todas derivadas da Efedrina. Doping é o consumo ilícito de uma droga estimulante, que tem o objetivo de suprimir temporariamente a fadiga, aumentar ou diminuir a velocidade, melhorando a atuação de um esportista.

Back, no entanto, diz que já deixou “de publicar histórias que iriam render importantes reportagens, mas que poderiam prejudicar a vida do atleta em questão”. Para o apresentador do programa de rádio Estádio 97, da rádio Energia 97 FM, o futebol é repleto de boatos, portanto, “não se pode divulgar um caso sem ter provas”. 

Fernando Fernandes, repórter esportivo da TV Bandeirantes, afirma não gostar de entrar na vida pessoal dos atletas. Mas, em relação ao caso de hipotireoidismo do atacante Ronaldo, ele admite: “Se tivesse tido acesso à informação antes, confesso que teria divulgado, apesar de ser algo de foroórum  íntimo”.  
Ao anunciar oficialmente sua aposentadoria, em fevereiro de 2011, o “Fenômeno” declarou que um exame, feito há quatro anos no clube italiano Milan, havia detectado a doença. O hipotireoidismo consiste na baixa produção de hormônios pela tireóide e um de seus sintomas é o ganho de peso. Mesmo sendo alvo de constantes chacotas, Ronaldo só revelou o problema no último dia de sua carreira.

Não são todos os jogadores de futebol que saem pela porta da frente quando deixam seus clubes. Muitas vezes, o processo de negociação de um ídolo acaba decepcionando milhares de torcedores. Benjamin Back faz questão de ser claro: “Não existe amor à camisa. Não podemos ser hipócritas. O que deve ser cobrado é o respeito e não o amor. O futebol é a profissão desses jogadores”. Do mesmo ponto de vista, Fernando Fernandes concorda com seu colega: declara que “eEssa história de amor à camisa se traduz em efetividade e produtividade. “O futebol virou, sim, um negócio baseado no interesse e no resultado. Por isso, a rotatividade dos jogadores é tão grande”.
 
SIGILO

Nelsinho Baptista, treinador do clube de futebol japonês Kashiwa Reysol, acredita que é importante separar a vida pessoal da profissional. “Não se trata de esconder informações. Muitas vezes não há necessidade de expor o que você tem ou sente, só isso”. 

No entanto, em relação às estratégias e táticas de jogo, a história é diferente. De acordo com o técnico, hoje é muito difícil esconder esse tipo de informação e surpreender o adversário. “Tenho uma equipe no Japão que analisa o meu adversário da próxima partida. Estou jogando neste final de semana, mas já estou de olho na partida do próximo”. O treinador conta que, para isto, imagens são colhidas e editadas durante a semana, depois são passadas aos jogadores.
Mas e o treino fechado, não adianta em nada? “Este tipo de treino pode até funcionar para preparar uma bola parada ou uma jogada de falta. Mas, mesmo assim, é muito difícil ser surpreendido taticamente. E, se acontecer, é possível resolver antes mesmo de entrar em campo, só de bater o olho”, esclarece.

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Ao lado de Zico, Zagallo coordenava treino
da Seleção Brasileira em 1998

BASTIDORES Um jogador difamado pela suspeita de provocar sua própria expulsão, uma ciência controversa decidindo as estratégias no campo de jogo e estudantes infiltrados com a missão de conturbar o adversário. Tudo isso, seria suficiente para despertar tensões em um jogo comum. Todavia, tais elementos estiveram presentes na decisão do Campeonato Paulista de 1977, quandono qual o Corinthians conquistou o título, após quase 23 anos de hiato.

Mais de três décadas após o polêmico jogo, Rui Rei, o atacante da ponte Preta, é tão lembrado quanto Basílio, autor do gol corintiano da final. A lembrança, porém, não é das melhores, pois sua expulsão, aos 17 minutos do primeiro tempo, foi cercada de discvussões. O jogador da Ponte Preta foi acusado de ter se vendido ao Corinthians. Para alimentar ainda mais os boatos, três meses depois foi contratado pelo clube do Parque São Jorge.

“O Rui estava sendo provocado sempre que chegava perto da área pelos zagueiros corintianos”, revela José de Souza Teixeira, conhecido como Professor Teixeira, preparador físico do Corinthians na época. “O árbitro era durão e, depois de reclamar de uma falta, Rui Rei recebeu o amarelo e continuou reclamando. Não sei o que ele disse, mas o juiz puxou o vermelho logo em seguida”.
O professor contou que entre as táticas utilizadas pelo Corinthians para vencer o time da Ponte Preta, havia um recurso, no mínimo, insólito: a ciclobiologia. Uma ciência proposta por um guru da área, o “senhor”Sr. Antonio Oláia, como é chamado. Segundo ele, trata-se de um estudo capaz de determinar, a partir da data de nascimento, as oscilações do comportamento físico, emocional e intelectual das pessoas em cada dia do ano. “Precisávamos tanto do título que aceitaríamos em tudo, até em galho de arruda na chuteira”, afirma Teixeira. Na ocasião, o artifício apontou Rui Rei em duplo dia crítico: físico e emocional.

COM O CORAÇÃO

José Macia, ou apenas Pepe, é considerado um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Ele foi um dos principais parceiros de Pelé nas conquistas do Santos, na década de 1960, e segundo maior artilheiro da história do clube. Quando pendurou as chuteiras, ainda atuou como treinador.

Conhecido como “Canhão da Vila”, pela potência de seus chutes de perna esquerda, ele conta que o Barcelona tentou contratá-lo algumas vezes, para competir com a equipe que o Real Madrid tinha na época, mas preferiu permanecer no Peixe – algo raro no futebol de hoje. “Nós recebíamos propostas do exterior, mas não aceitávamos. Tínhamos prazer em jogar no nosso clube e escolhíamos com o coração”, declara Pepe. Esta era também uma das razões para o sucesso do clube. Os jogadores ficavam no Santos e se tratavam como uma família.

Pepe revela que ouviu muitas histórias de jogadores que fugiram de concentrações, mas afirma que isso nunca aconteceu quando ele jogava. “Ninguém pulava o muro. Se você fizesse isso, ficava no meio do mato.” Como treinador, ele também teve a sorte de não ter comandados fujões. “Não era rígido, mas era muito respeitado pelos meus jogadores, por causa da minha história. O fato de eu ser amigo deles ajudava também”, concluiu.

Box

por Beatriz Paiva (1º ano de Jornalismo)

Caso Williams

Dona de treze títulos de Grand Slam, a tenista norte-americana Serena Williams, que não atua desde julho de 2010 por conta de um ferimento no pé, teve seu retorno às quadras novamente adiado ao descobrir que sofre de embolia pulmonar. Serena já foi submetida a várias cirurgias e continua recebendo tratamento em casa. A expectativa é que ela volte a jogar em junho.

Caso Semenya

A sul-africana Caster Semenya, que em 2009 conquistou ouro nos 800 metros rasos do Mundial de Atletismo em Berlim, foi alvo de polêmica ao ter sua feminilidade questionada. A Federação Internacional de Atletismo determinou prazo de 11 meses de investigação. A notícia de que Caster era hermafrodita surgiu na Austrália, mas as autoridades nunca confirmaram o caso. Em 2010, a atleta pôde voltar a competir normalmente.



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