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29/07/2011 - 15h02 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h12

Doce travesti

Por Fernando Antonialli, aluno do 2º ano de Jornalismo

Musical “The Rocky Horror Picture Show” mistura ficção científica e sexualidade

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Reprodução
O travesti Dr. Frank N’ Furter e os outros seres do
castelo assombrado, que serve de cenário para o
longa 

O universo dos filmes de ficção científica é enorme, e se encontra em constante expansão. De criaturas gigantestas a homens minúsculos, de seres extraterrestres a monstros do centro da Terra, e muitas outras coisas que nem podemos imaginar. E, como mostra a música Science Fiction/Double Feature, primeira a ser cantada no filme The Rocky Horror Picture Show, é nesse mundo de vastas, e improváveis, possibilidades que iremos entrar.

Antes de começar, deixe toda sua incredulidade para trás, pois aqui irá encontrar alienígenas, experimentos bem e mal sucedidos, e um travesti pronto para despertar o lado sexual daqueles a sua volta. E tudo isso embalado por canções agitadas, de ritimo frenético, que ficarão na memória por um bom tempo.

A aventura de Brad e Janet no castelo do doutor Frank N’ Furter foi contada pela primeira vez em 1973. Originalmente uma peça de teatro musical, The Rocky Horror Show foi escrita por Richard O’Brien, que também atuou na apresentação. Porém, logo em 1975, a história saiu dos palcos britânicos e foi parar na grande tela.

A adaptação para o cinema, também escrita por O’Brien, foi composta por um elenco semelhante ao da peça. Mas The Rocky Horror Picture Show não fez muito sucesso durante suas semanas de estreia. O filme se destacou nas exibições de meia-noite. Foram nessas sessões noturnas que Rocky Horror bateu o recorde de maior tempo em exibição, mais de 30 anos seguidos, e reuniu uma grande quantidade de fãs.

Narrado por um criminologista, o filme conta a história de Brad (Barry Bostwick)  e Janet (Susan Sarandon no começo de carreira). Após ficarem noivos, os pombinhos resolvem visitar seu antigo professor de ciências, Dr. Everet Scott (Jonathan Adams), responsável pela aproximação do casal. Porém, um pneu furado atrasa a viagem e, procurando abrigo da chuva, eles se refugiam em um castelo na beira da estrada.

Mesmo que a noite lhes pareça uma catástrofe, uma comemoração está acontecendo no castelo. Os habitantes da Transsexual Transilvânia estão se reunindo para prestigiar a mais nova criação do travesti Dr. Frank N’ Furter (Tim Curry, reprisando o papel que fez no teatro) - um lindo homem, musculoso e bronzeado, chamado Rocky (Peter Hinwood). Desse momento em diante as vidas de Brad e Janet não serão mais as mesmas, pois entre extraterrestres e monstros, a maior descoberta do casal será a da própria sexualidade.

O longa brinca com os estereótipos dos filmes de ficção, como o médico maluco, o carro que quebra em meio a uma tempestade e o castelo assombrado que aparece como única escapatória. Porém, o que mais se destaca é a questão da sexualidade. As personagens são envolvidas em uma jornada de descoberta das próprias vontades e, com Furter no comando, percebem que podem se entregar ao prazer. No fim, mesmo os conservadores Brad em Janet se rendem ao sexo, terminado por fazer uma grande apresentação onde todos se vestem como Frank N’ Furter - os aprendizes se igualam ao mestre.

As músicas de The Rocky Horror Picture Show se destacam por si só. Usando o melhor do glam rock, as faixas têm ritmo contagiante e letras inspiradas. Desde a primeira, Science Fiction/ Double Feature, que faz uma grande homenagem aos clássicos do cinema de ficção, a Time Warp, que ensina como se dança na Transsexual Transilvânia. Outras inesquecíveis são Touch-a Touch-a Touch-a Touch Me, cantada por Janet ao se entregar ao novo estilo de vida e I’m Going Home, quando Furter se prepara para voltar ao seu planeta, por seus modos serem considerados muito extremos.

Seja por suas personagens irreverentes, sua trama atípica ou músicas que ficam na cabeça, The Rocky Horror Picture Show é um filme único e divertido. Então sempre que tiver vontade de visitar a Transsexual Transilvânia e se entregar ao prazer, lembre que os passos são simples – e só dar um pulo para a esquerda e um passo para a direita, ponha as mãos na cintura e dobre os joelhos para dentro, mas é o impulso pélvico que o leva a loucura, e assim faça a dobra do tempo novamente, e divirta-se.



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