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25/07/2011 - 06h16 - Atualizado em 22/05/2012 - 11h12

Pedro Bassan comenta o seu trabalho como correspondente estrangeiro

Gustavo Nárlir, editor do site

Desde 2009, ele faz cobertura dos acontecimentos de Portugal e da Europa para a TV Globo

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O jornalista conseguiu ter um contato 
maior com a língua portuguesa

Você mora atualmente em Portugal. Foi um convite da TV Globo?
Eu fui o primeiro correspondente aqui [em Portugal] durante muito tempo. A Globo tinha deixado de olhar para cá um pouco mais de perto e, quando eu voltei em 2009, a emissora voltou a ter uma presença no país. E eu acho isso muito bom e apostei muito nisso. Faz sentido porque tem muita notícia e é muito próximo dos brasileiros. Principalmente para televisão, faz muita diferença, ao contrário de jornal, ter entrevistas em português. Isso porque o ritmo de uma entrevista traduzida é completamente diferente.

Mas você já tinha uma ligação com Portugal? Por que você foi escolhido para estar neste local?
 Na verdade, eu acho que saí da China [cobertura das Olimpíadas de Verão de2008] e acharam que eu tinha direito a algum lugar mais tranqüilo. (risos)

Com essa experiência, você tem atualmente um conhecimento sobre a cultura e a história da nação portuguesa, com reportagens voltadas a esses elementos. Havia um interesse por essa temática?
A gente acaba conhecendo, pois está aqui e tem que mergulhar nessa cultura, nos laços. Todos os dias eu estou tratando desse assunto de alguma maneira. Essa relação de Portugal com o Brasil é muito forte, até mais para eles do que para a gente. A idéia de Brasil está presente no dia a dia de Portugal, algo que nem fazemos idéia. Se a gente pensar, não faz nem 40 anos que Portugal era Estado. Portugal era um país gigante fora daqui, foi do tamanho do Brasil e depois o maior império na África. Portugal não está acostumado a ser pequeno, quer sempre se expandir. Então, eles olham para o Brasil de um jeito muito próximo. A nação brasileira faz parte da realidade portuguesa.

Então, foi muito importante ter contato com a língua portuguesa falada em outros países?
Esse mergulho é o mais fascinante de estar aqui [em Portugal]. Conhecer a língua portuguesa e pessoas de outros países que também falam português. Quando eu estava na China, fui a Timor duas vezes, para apresentar aquele país minúsculo que fala português do outro lado do mundo. É quase um sonho chegar em algum lugar e encontrar algo escrito em português, aquela referência asiática completamente estranha para os brasileiros. A língua é muito forte e a minha relação com as palavras é muito próxima. Eu acho que isso é o mais legal de trabalhar aqui em Portugal.

O jornalista, nesse processo de contar histórias, acaba conhecendo inúmeros lugares. Quais foram os que mais marcaram a sua carreira?

No Timor, por exemplo, foi uma viagem interessante. Somente 10% da população fala português, mas eles estão aprendendo cada vez mais. Na verdade, a elite do Timor fala a nossa língua, porque foram eles que freqüentaram as escolas na época da colonização. E eu acho que lá foi realmente uma viagem, no sentido mais profundo da palavra. Eu descobri o quanto a mesma língua, embora usada de jeitos totalmente diferentes, pode transmitir uma realidade que não enxergaríamos de outro jeito. Eu falo mais línguas, mas não é a mesma coisa ouvir a explicação de algum fenômeno em inglês e em português. Nunca é a mesma coisa, a gente sempre recebe de uma maneira mais próxima e entende mais. Isso acontece quando eu vou a algum lugar que fala português além de Portugal, como Moçambique. Cabo Verde então é muito impressionante porque está no meio do Oceano Atlântico e faz uma ponte entre as culturas brasileira e portuguesa. Muito cabodiano foi ao Brasil para trabalhar ou estudar, então o próprio falar de Cabo Verde é meio misto, mais misturado entre o jeito brasileiro e o jeito português e, ao mesmo tempo, é muito próprio deles. Eu acho tudo isso uma viagem fantástica.

Quais foram os principais profissionais que inspiraram o seu trabalho como jornalista?
São tantos. Certamente vou esquecer alguns, mas não vou ficar em cima do muro. (risos) Em termos de televisão, Lucas Mendes e Sílvio Boccanera foram os principais mestres que eu vi desde criança, que foram referências para a minha geração de jornalistas. Ninguém chegou a fazer o que eles fizeram. E até os professores mesmo que eu tive ao longo da vida. Meu primeiro chefe, César Teixeira, que foi um cara extraordinário; o Roberto Salim, que me ensinou a fazer TV e que está até hoje na ESPN Brasil; e o Alfredo Borges,que me ensinou a dar os primeiros passos. Eu acho que são as principais referências que eu tenho, pois são as pessoas que me ensinaram o be-a-bá. José Hamilton Ribeiro que, pelo amor de Deus, não tem como não citar. Tive o privilégio de conviver com ele, de vê-lo trabalhar de certa maneira. A gente vai aprendendo muito, mesmo nas redações fica olhando o jeito como os outros trabalham e tentando aprender. Eu acho que isso foi uma escola inigualável. Hoje, acho que entre os meus colegas, eu admiro o Marcos Uchôa, que está perto de mim em Paris e é meu professor de todos os dias, além do Marcelo Canellas e o Tino Marcos. Acho que são os grandes nomes, sem dúvida nenhuma.



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