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25/07/2011 - 04h37 - Atualizado em 22/05/2012 - 07h35

Da Rádio Tupã à TV Globo: uma trajetória de sucesso

Gustavo Nárlir, editor do site

Desde criança, Pedro Bassan tem contato com o rádio e o universo do jornalismo

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Globo.com
Bassan (de azul) e o cinegrafista Wanderley Serbonchini
(que o acompanha em Portugal), sendo entrevistados 
pelo programa "Cá Estamos", da Globo Internacional

Em alguns casos, não é necessário escolher a profissão, pois a profissão acaba te escolhendo. Pelo menos, é o que se pode dizer de Pedro Bassan. Ele chegou a brincar, ainda criança, dentro de um estúdio de rádio ao lado do pai, que foi locutor. Leia abaixo algumas histórias do repórter, que já tem 22 anos de carreira e acredita que o “jornalista tem que estar pronto para tudo”.

Como foi a sua origem e o começo da sua carreira em Tupã (SP)?
Meu pai trabalhou em rádio. No tempo de juventude dele, foi locutor de rádio. E naquela época não existia uma fronteira entre locutor de rádio e jornalista. Por isso, ele sempre participou do rádio, que era muito forte no interior. E eu vivi mais ou menos naquele mundo. Embora não trabalhasse lá diretamente, cresci dentro do rádio. E, às vezes, quando precisavam de uma criança para gravar um comercial, me chamavam e eu fazia. Então, eu nem sei dizer quando comecei na profissão, pois sempre me vi dentro desse mundo. E aí quando eu tinha uns 17 anos eu comecei a trabalhar mesmo na Rádio Tupã. Tinha carteira assinada e fazia de tudo: era office boy, repórter, locutor, operador, tudo um pouco. E foi assim que eu comecei. O jornalismo que nunca foi uma escolha, pois eu sempre me vi um pouco dentro dele. 

Você disse que chegou a fazer comerciais então?

Exatamente. Aquela voz de criança para comercial de rádio, eu fazia.  Eu estava sempre por ali, então eu comecei muito cedo. Aquilo ali foi como a minha casa mesmo. Nervosismo sempre tem. Até hoje tem, mas eu cresci no microfone, enfim. Eu acho que assim ficou um pouco mais fácil.

Então você sofreu muita influência do seu pai (que, inclusive, também se chama Pedro Bassan)?
Exatamente. Meu pai era locutor de rádio, estilo moda antiga, apresentava programas de auditório, do tempo de ouro do rádio. Mas ele era jornalista também. Fez Direito em uma época que, no interior, poucos tinham acesso à faculdade. Então ele sempre foi uma referência para mim. Os assuntos mais importantes era ele que tratava, então sempre tinha essa base jornalística.

Tem alguma história que você queira contar ou se lembre dessa época?
Eu lembro de estar lá e gravar comercial na rádio, como o de “Dia dos Pais”, com a minha voz de criança: “vou comprar o presente para o meu papai”. (risos) Além disso, às vezes a rádio cobria os jogos do Tupã Futebol Clube e, geralmente, tinha briga e rolava umas “garrafadas”. Certas vezes, entrava uma garrafa na cabine da rádio e eu era pequeno ainda. Já sabia que era uma profissão arriscada desde o começo.

Quando você foi efetivado, aos 17 anos, na Rádio Tupã, já havia um envolvimento com o esporte?
Sim. Eu já fazia reportagens esportivas naquela época. Aí eu fui para São Paulo e já comecei a estudar na Cásper. Fiz Jornalismo na Cásper à noite e de manhã Direito, no Largo da São Francisco. Mesmo assim, eu continuava indo para Tupã nos finais de semana e fazendo cobertura dos jogos que aconteciam lá, reportagens dos jogos do Tupã Futebol Clube. E foi aí que eu comecei mesmo. O narrador esportivo Osvaldo Maciel é de Tupã também e uma vez ele me ouviu fazendo uma reportagem de um jogo da cidade. Como ele estava montando uma equipe para ir a Rádio Record, me chamou para ser repórter. O que eu fazia em Tupã acabou me abrindo as portas para uma emissora de rádio grande, de São Paulo, que foi o meu primeiro emprego como jornalista mesmo.

E como foi a sua passagem na Rádio Record?
Fui repórter esportivo. Ali que eu comecei. Aprendi com jornalistas mais experientes, como Roberto Carmona, Henrique Guilherme, Osvaldo Paschoal. Tinha uma turma de feras lá. Aprendi com eles. Fiquei lá um ano e depois a equipe acabou mudando bastante, todos acabaram saindo aos poucos e eu fui para a rádio Jovem Pan. Mas aí eu saí do esporte, fui trabalhar na “geral”. Fazia muita política, economia, e foi ali que eu vi que não tinha muita escapatória, que era mais ou menos o meu caminho na vida.

Mas você chegou a trabalhar como locutor, apresentador dos jornais?
Na Jovem Pan, sim. Além de ter sido repórter, apresentei muitos jornais, como o “Hora da Verdade”, que era transmitido no fim do dia e, muitas vezes, o “Jornal da Manhã”, que era o principal. Nunca fui intitulado no “Jornal da Manhã”, mas eu substituía várias vezes os apresentadores. E, no meu último período na Jovem Pan, eu era mais apresentador do que repórter. (ouça o audiocast para ouvir comentários sobre o trabalho na Jovem Pan)

Depois da Jovem Pan, você foi para a Rádio Bandeirantes. Como foi essa experiência?

Sim, em 1996. Foi um convite para mudar de emissora e conseguir um salário melhor. Eu fui com a promessa de fazer Fórmula 1, que era o meu grande sonho. Foi a grande mudança no meu papel profissional. Não cheguei a ficar um ano na Bandeirantes, porque nesse meio tempo, enquanto eu estava na Jovem Pan, o Flávio Prado conseguiu que eu fizesse um teste na ESPN Brasil, que foi onde eu comecei a fazer televisão junto com a Jovem Pan. Era um trabalho que ocorria quase toda semana, eu era freelancer e fiquei dois anos e meio. Quando eu fui para Bandeirantes, continuei na ESPN. Nessa época, eu tinha mais ou menos dois dias de folga por ano. Mas valeu a pena porque eu fiz muita coisa. Aprendi TV absolutamente do zero e fazia rádio e televisão ao mesmo tempo.

Na Bandeirantes, você trabalhou tanto na rádio quanto na TV?

Na Band, eu fiz algo para TV, porque o repórter de rádio sempre contribuía para a televisão. Era a época do início do Canal 21, que era um projeto novo e a idéia era de que fosse uma emissora de notícias.  Inclusive, cheguei a apresentar programas no 21.

E como foi o início da cobertura da Fórmula 1, que você disse que era um sonho e conseguiu fazer?
Eu sempre fiz de alguma maneira, desde a época da Rádio Record, que era o auge do [Ayrton] Senna ainda. Jovem Pan também, mesmo na época de Grande Prêmio no Brasil, todo mundo trabalhava. Então, eu sempre estive, de alguma maneira, próximo da Fórmula 1. O engraçado é que teve um ano que eu não cobri a corrida e foi quando o Senna ganhou. Eu quase apareci na imagem daquela famosa cena em que ele levanta do carro no meio da pista e todos o cercam. Mesmo que a Jovem Pan não tivesse feito cobertura, eu estava na arquibancada, entrei na pista. Não estou naquela foto por pouco, coisa de 20 segundos de atraso.

Como foi a entrada na TV Globo?
Eu estava na ESPN, que era um freela. Foram dois anos e meio, mas pareceu mais rápido, pois eu não trabalhava todos os dias. Eu, Luís Roberto e Casagrande fazíamos as transmissões. Aí o diretor da Globo estava querendo contratar o Luiz Roberto e me contaram que eles estavam vendo uma fita dele com reportagens minhas. Por isso, falaram para me convidar também. Aí eu fui. Deixei Bandeirantes e ESPN para ir para a TV Globo.

Para fazer jornalismo esportivo?
Só no esporte. E foi no esporte que eu fiquei até 2007. Foram dez anos [entrou em 1997]. Saí do esporte para ir a Pequim, fazer muita coisa de Olimpíada também. Saí, mas continuei com pé no esporte e continuo até hoje.

Como foram suas primeiras reportagens?
[A primeira reportagem] Era sobre série B, que hoje está mais organizada, mas na época era meio “vai quem quer”. Um jogo em Araras, que foi campeão naquele ano [1997]. Naquela época, quem ganhava série B não tinha garantia de subir ou ser rebaixado, quase nunca caía e não tinha essa força que tem hoje.

Como foi o desafio de fazer a cobertura das Olimpíadas na China?
O desafio de trabalhar na China foi totalmente diferente. Fomos eu e o Wanderley Sermonchini, repórter cinematográfico que está comigo até hoje em Portugal. Tivemos um traquejo de trabalhar lá, tivemos a ajuda da polícia. Eles faziam o que era possível. No mês passado, voltamos para a China e revivemos a aventura, pois trabalhar lá é sempre uma aventura. Sempre corremos certo risco e temos que ter muito poder de improviso. O Wanderley também tinha muito isso com a câmera, de fazer bem o que é possível. Tem um jeito diferente de trabalhar lá. Temos que estar preocupados com a nossa própria segurança. É um stress que no Brasil ou em Portugal não temos.

Sem falar na realidade do país, que não zela pela liberdade de expressão...
Exatamente. No Brasil, estamos acostumados a trabalhar com o peso da Globo. Quando a gente fala “TV Globo”, abre ou fecha a porta de vez, mas as pessoas conhecem. Agora no exterior, ninguém conhece o que é TV Globo e, na China, ninguém conhece o que é a imprensa. Eles só têm lá o jornalismo oficial e não fazem idéia dos motivos que levam alguém quer contar uma história x, y ou z. É algo que nem passa pela cabeça deles. Dizer que éramos da imprensa era o mesmo que dizer que “somos de Marte”.  E foi isso.

E foi a partir de então que você deixou de fazer apenas jornalismo esportivo na Globo?
Sim, mas essa transição para sair do jornalismo segmentado não foi um choque, porque eu já tinha feito muitas vezes. E, dentro do esporte, é preciso ter uma certa versatilidade na técnica de contar as histórias. O próprio esporte tem uma riqueza tão grande que há exigência em estar a par de tudo o que acontece. Não pode ser um sujeito alienado. Eu senti mais o choque de trabalhar fora do Brasil, em uma realidade totalmente diferente. No entanto, eu esperava muito por isso. Porque eu acho que o jornalista tem que estar sempre preparado para tudo. Eu sempre esperava a oportunidade de fazer mais coisas além do esporte. Eu tinha feito, em 2005, a cobertura dos atentados em Londres e trabalhei durante uma semana lá nos atentados da Al Qaeda. Era algo que eu esperava, então não senti muito esse choque. Foi mais uma realização.

A política da TV Globo geralmente é constituída por um ciclo. Os jornalistas primeiro passam pelas afiliadas, noticiários menores até chegar ao Jornal Nacional. Isso aconteceu com você?
Eu acho que no esporte é um pouco diferente. Tive sorte de estar no esporte, porque os caminhos são mais fluidos e essa hierarquia não é tão rigorosa. No geral, há sempre o jornalista que faz mais o jornalismo local e o repórter que faz mais matérias de rede, embora não seja uma grade que separa os dois setores. No esporte, esse limite praticamente não existe. É claro que é difícil entrar no Jornal Nacional, que tem a elite dos repórteres. Passei anos para entrar pela primeira vez no JN.

E como foi a sua primeira reportagem no Jornal Nacional?
Lembro bem, foi com o vôlei, na Liga Mundial. Um jogo em Curitiba. Acho que era Brasil e Japão. A TV Globo transmitia o jogo no domingo e, no sábado, o Jornal Nacional sempre apresentava uma matéria para falar sobre o campeonato. E foi a primeira vez que eu entrei. Um grande aprendizado.

Como funciona a produção de uma reportagem da TV Globo? O produtor fica responsável pela maior parte da matéria em relação ao jornalista? Como é a divisão das funções?
Eu acho que a televisão é um veículo mais rico do que o rádio, em que é mais fácil alguém chegar sozinho e fazer uma reportagem. Embora sozinho ele nunca esteja. Na TV é necessário que haja mais pessoas para fazer coisas melhores. No cinema, precisa de mais gente ainda. Então, eu acho que todo trabalho de TV é um trabalho de equipe e quanto mais podemos contar com essa estrutura, melhor. Agora se você me perguntar se o profissional de vídeo seja sobrevalorizado em relação a outros profissionais, eu acho que sim por causa dessa cultura da imagem. Mas isso ocorre em todo lugar. Na Alemanha, na Suíça e na França, não é diferente. Quem aparece no vídeo é sobrevalorizado. Não que eu queira ganhar menos, mas é um pouco por aí.



Comentários Comentários Postados
João[23/11/2011 - 21:34]

Pô, se o cara é formado pela Cásper a matéria deveria abordar sobre a trajetória dele na Faculdade também né? O resto que foi falado todo mundo que pesquisar um pouco já fica sabendo. Ficou fraco.

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