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22/07/2011 - 16h56 - Atualizado em 20/05/2012 - 23h29

Sobre viúvas e assassinos

Mariana Campi Auresco, 2º ano de Jornalismo

Confira a resenha da obra do jornalista Klester Cavalcanti

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Divulgação

Para moradores de grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, parece muito difícil a abstração, mesmo que por um breve instante, de que haja locais mais perigosos do que cidades as em que residem. Narrando histórias de seis famílias distintas, o jornalista Klester Cavalcanti prova em sua obra Viúvas da Terra (Editora Planeta), que muitas vezes a realidade nos confins do país pode se provar mais dura e violenta do que qualquer paulistano ou fluminense pudesse imaginar.

A disputa por terra e direitos é assunto antigo. De um lado fazendeiros, com suas figuras quase que sempre seguindo um código de lei que abrange desde atitudes autoritárias, muitas vezes ditatoriais, até qualquer falta de compaixão ou noção de direitos humanos. Opondo-se a estes estão os agricultores, pessoas de origem humilde que mal conseguem vencer a luta diária contra a fome, mas apresentam-se cheios de ideias e reivindicações para mudar a forma como a vida prossegue. Para não perderem terras e posses, fazendeiros usam e abusam de truques baixos e inegavelmente repreensíveis. Coube ao jornalista recifense explorar a fundo histórias que há muito parecem esquecidas e enterradas junto àqueles de que destas foram protagonistas.

Cavalcanti se utiliza de destreza descritiva digna de um exímio jornalista. Descrições estas que em diversas passagens podem provocar até certo asco para aqueles de estômago mais sensível. Cenas com sangue e dor parecem brotar de cada página. O perfil das vítimas era praticamente sempre o mesmo: líder sindical na luta pela reforma agrária, pai de família e influente em certa comunidade. O livro começa narrando o caso da viúva Maria de Jesus, que teve não somente seu marido, mas também seu filho de três anos assassinados em sua frente. A partir daí, o leitor se encontra em uma verdadeira teia de histórias chocantes e surpreendentes. É impossível não deixar-se levar pelo sofrimento daquelas que ficaram para contar o que viveram e sentiram: as viúvas. Página a página uma nova forma de tortura e crueldade é escancarada àquele que lê. O fator mais grave, porém, não é apenas a conhecidência de todas as histórias narrarem a morte de um homem vinculado à luta agrária, mas sim o fato de que de maneira unânime, todos os casos tiveram como fim um suspeito às vezes condenado, quase que sempre nem mesmo julgado, mas com certeza não detido.

A partir da maneira como o autor aborda cada uma das histórias, fica notável a vontade de se fazer justiça por meio da denúncia da impunidade que impera em certas regiões brasileiras. São dezenas de nomes apontados, sendo estes de fazendeiros, políticos e policiais corrompidos. A divergência e incoerência entre Legislativo, Executivo e Judiciário revela-se mais óbvia do que qualquer pleonasmo. Cavalcanti mostra-se eficiente pela luta de sua causa.



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