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22/07/2011 - 16h46 - Atualizado em 23/05/2012 - 18h29

Intrépida dupla

Por Helena Dutt-Ross, aluna do 2º ano de Jornalismo

O charme à antiga e a beleza radiante da parceria Astaire-Rogers

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Reprodução
"Ele tinha classe e ela tinha sex appeal" : Palavras
da atriz Katherine Hepburn sobre a inimitável e
mais famosa dupla dos filmes musicais

Frederik Austerlitz e Virginia McMath, o par de dança mais famoso do planeta. Não se preocupe caso não tenha nunca ouvido falar deles - talvez você meramente os conheça como Fred Astaire e Ginger Rogers, astros do sapateado.

A parceria começou, quase por acidente, em 1933, quando foram coadjuvantes em Voando para o Rio. É notável como o casal principal, Dolores del Río e Gene Raymon, é ofuscado pelo que devia ser o par secundário. O público queria ver Fred e Ginger - e foram eles que provaram do estrelato nos anos que sucederam esse trabalho.

Os dez filmes da parceria Astaire-Rogers têm um padrão regular: Fred é um rapaz bem-humorado, meio malandro e sem nada a perder; Ginger, uma moça durona, secretamente doce. Separados por algum mal entendido, ele passa os 100 minutos seguintes tentando conquistá-la, que resiste bravamente até o último segundo.

Não é bem o roteiro que importa em seus filmes: é a graça, o carisma, as coreografias criativas e, é claro, a técnica e ritmo perfeito das apresentações de dança.

Em Roberta, o número Hard to Handle, em que discutem sem palavras, apenas com os pés, se tornaria famoso. No Carioca, de Voando Para o Rio, dançam com as testas se encostando. Em Vamos Dançar? sapateiam Let’s Call the Whole Thing Off de patins, uma cena que exigiu mais de 100 takes. Em Ritmo Louco, esbanjaram talento na bela Waltz, uma valsa sapateada. E a mais antológica de todas: o Cheek to Cheek de O Picolino, em que Ginger usa seu famoso vestido de penas.

Para a época, estes números não eram apenas bonitos: eram revolucionários. Até o advento Astaire-Rogers, a dança no cinema alternava closes entre os rostos dos dançarinos, o cenário e às vezes seus pés. Fred não quis nem ouvir falar disso. Em seus filmes, a câmera capta o corpo inteiro dos sapateadores todo o tempo, geralmente sem um único corte. Errar algo significava filmar toda a coreografia de novo.

Uma história que posteriormente ficou famosa: na primeira vez que Fred Astaire fez teste para um filme, a comissão avaliadora recusou-o e escreveu em sua ficha: “Não sabe cantar. Não sabe atuar. Ligeiramente careca. Dança um pouco.”

O comentário chega a beirar o cômico. Astaire é, talvez, o maior sapateador de todos os tempos. Leve, elegante, parece encarar a gravidade como se ela fosse não uma lei, mas apenas uma das várias opções possíveis. Em um de seus melhores números solo, Bojangles of Harlem, ele dança com as suas sombras - e nem elas conseguem acompanhar o ritmo alcançado pelo dançarino.

Já Ginger Rogers tinha uma função diferente. Embora tivesse técnica e sapateasse com destreza suficiente para acompanhar Fred, ela não foi a melhor dançarina a pareá-lo (Eleanor Powell e Cyd Charisse eram tecnicamente melhores). Ainda assim, os números de Fred nunca mais atingiram a qualidade artística que tinham com Ginger. Isso porque ela foi - sem dúvida - a melhor atriz, ganhando um Oscar posteriormente, por Kitty Foyle.

Sua maior qualidade era não parar de atuar quando começava a dançar. Ao contrário: ela encarava Fred fixamente enquanto ele a conduzia, geralmente com um sorriso ou olhos apaixonados, como se dançar com ele fosse simplesmente a melhor coisa que podia acontecer a uma mulher em toda a vida. Katherine Hepburn resumiu bem porque a dupla dava tão certo: “Ele tinha classe e ela tinha sex appeal.”



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