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13/07/2011 - 19h55 - Atualizado em 23/05/2012 - 17h03

A magia por trás das câmeras

Por Gustavo Nárlir, aluno do 3º ano de Jornalismo

Diferentes diretores deixaram suas marcas na jornada cinematográfica de Harry Potter

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Reprodução
O trio principal em A Pedra Filosofal,
O Cálice de Fogo e As Relíquias da 
Morte - Parte 2

Oito filmes, quatro diretores. Não há unanimidade sobre qual foi o melhor e o pior filme, talvez porque cada um tenha a sua particularidade. Ainda que o primeiro livro da série Harry Potter tenha sido lançado em 1997, somente quatro anos depois a história do jovem bruxo conseguiu invadir o mundo inteiro dentro da magia do cinema. Em 1998, após o fenômeno das obras literárias então publicadas, Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta, a Warner Bros. se interessou em fazer as adaptações e comprou os direitos por um milhão de euros – quantia que poderia ser considerada alta na época, mas, tendo em vista os bilhões já arrecadados, foi compensadora.

Uma difícil escolha

A partir de então, a equipe de produção precisaria escolher o diretor perfeito para transmitir a essência do livro de J. K. Rowling. A primeira opção foi Steven Spielberg. No entanto, a ideia dele era fazer uma animação, que teria a voz de Harry Potter dublada pelo ator Haley Joel Osment. Rowling não gostou da proposta e pensou em nomes que pudessem trazer maior realidade aos filmes, como Terry Gilliam, de O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, e Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes). 

Mesmo que as negociações tivessem se iniciado no início de 1999, a decisão foi anunciada apenas em março de 2000. O primeiro diretor da saga seria Chris Columbus, que assumiu os dois primeiros longas. O cineasta inglês havia feito sucessos entre o público infantil, como Esqueceram de Mim (1990), e escrito os roteiros de Gremlins (1984) e Os Goonies (1985). Como os primeiros livros traziam essencialmente aventuras infantis, parecia a melhor opção. 

Muitos elementos observados ao longo da saga foram contribuições de Columbus, por exemplo, a trilha sonora de John Williams, responsável pelas músicas de Star Wars e Indiana Jones, e a escolha de Daniel Radcliffe para interpretar o personagem principal. A direção de Chris Columbus permitiu que os atores mirins trouxessem certa espontaneidade na atuação, pois as filmagens podiam ser intercaladas entre brincadeiras e piadas. 

Isso pôde ser conferido na tela, pois as crianças pareciam estar mesmo dentro de um parque de diversões, com colegas que conviviam diariamente. Após o lançamento de Pedra Filosofal, Columbus declarou que “o elenco e os realizadores tinham se tornado uma grande família”.

Os sucessores da varinha

Procurando se aventurar em outros trabalhos, Chris Columbus sugeriu o mexicano Alfonso Cuarón para conduzir o terceiro filme saga, que tinha dirigido o infantil A Princesinha (1995). Ainda com a produção de Columbus, Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban conseguiu resgatar o espírito dos lançamentos antecessores e incorporar um clima de suspense à saga. 

Tendo o trio principal mais maduro e com maior entrosamento, a fotografia tornou-se mais escura para apresentar os Dementadores, além de cenários pouco explorados de Londres e do entorno de Hogwarts. “Cuarón introduziu um tom que é meio de pesadelo, em que o mundo não era mais o sonho que eles vinham vivendo até então”, analisa Rodrigo Cunha, crítico de cinema, fundador e editor do portal Cineplayers.

Em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), as mudanças foram radicais. A produção não tinha mais Columbus e Cuarón na dianteira, a trilha-sonora agora era de Patrick Doyle - e não mais de John Williams -, além de as crianças já serem adolescentes.  Tanto a idade quanto o livro ressaltavam os conflitos dessa época da vida dos jovens bruxos. Para trazer o drama que seria necessário, foi escolhido o britânico Mike Newell, diretor de Donnie Brasco (1997). “Newell seguiu o mesmo caminho de Cuarón, mas talvez tivesse liberdade demais e precisaram mudar uma última vez”, comenta Cunha. 

O último diretor

Quem diria que um cineasta que basicamente havia feito apenas produções televisivas iria assumir de vez a saga bilionária? Foi isso o que aconteceu com o inglês David Yates,  responsável pela direção dos últimos quatro filmes da série. “A Warner provavelmente queria ter mais controle sobre o filme, já que Yates era um diretor desconhecido e a transição já havia acabado, os personagens agora tinham noção do perigo, tornando-o satisfatório em todos os quesitos”, pontua o crítico do Cineplayers.

Ao analisar os resultados dos três filmes mais recentes, pode-se perceber que as produções foram bem aceitas pelo público e agradaram aos fãs.  Em relação à bilheteria, foram arrecadados mais de 3 bilhões de dólares no mundo inteiro com apenas esses três títulos (os três se encontram entre as 10 maiores bilheterias da história do cinema). Em entrevista à Reuters, Yates explica que o segredo foi acompanhar o amadurecimento dos fãs: “O público pode ter tido 6, 7 ou 8 anos quando começou; agora são pessoas de 16, 17 ou 19 anos. Elas não querem mais ser tratadas como crianças e assistir a coisas bonitinhas.”

Com sucesso e garantia de apelo do público de todas as idades, Yates foi o responsável por fechar um ciclo que pode algum dia, quem sabe, continuar. De qualquer forma, estará para sempre eternizado nas telas do cinema.

 



Comentários Comentários Postados
Carina[19/07/2011 - 09:16]

Gostei muito da leitura, pois particularmente, adoro Harry Potter, e fiquei muito feliz em saber que o texto foi escrito por um aluno da Cásper!!! Parabéns a Coord de Cultura Geral e ao Gustavo Nárlir!!!

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