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11/07/2011 - 21h10 - Atualizado em 23/05/2012 - 06h33

Folha de S.Paulo promove debate sobre Wikileaks e diplomacia

Ítalo Fassin

Discussão mediada pelo jornalista Fernando Rodrigues fez parte da programação da mostra "90 em Folha - Imagens do Brasil Moderno"

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Wikileaks
Portal vazou mais de 250 mil documentos
diplomáticos norte-americanos

Political language is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give the appearance of solidity to pure wind.
George Orwell

Com esta epígrafe, teve início o debate WikiLeaks e o futuro da diplomacia da mostra 90 em Folha no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo. Mediada pelo jornalista e colunista da Folha de S. Paulo, Fernando Rodrigues, a palestra recebeu a professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Maristela Basso, e o ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur. O encontro com os especialistas em diplomacia internacional debateu sobre a influência da organização Wikileaks nas relações multilaterais entre os países no futuro.

Fernando Rodrigues apresentou um vídeo de dez minutos com uma das cenas que representam nitidamente a transparência nos jogos políticos e militares internacionais que o WikiLeaks proporcionou à sociedade. O vídeo mostrou um avião americano sobrevoando um território iraquiano ao atirar em civis inocentes. Percebe-se ainda a perda de tato na guerra selvagem travada pela raça humana quando os soldados americanos confundem um equipamento fotográfico nas mãos de um correspondente internacional com uma arma de destruição, sendo este o estopim para os disparos da aeronave.

Apesar das revelações impactantes do WikiLeaks, o ex-embaixador Roberto Abdenur acredita que “a influência do órgão internacional não vai mudar a maneira como se faz diplomacia, ou seja, os vídeos liberados que afetaram as relações comerciais e políticas entre os países não alterará o modo de firmar acordos e contratos de abrangência global”. Segundo Abdenur, o trabalho da diplomacia é multifacetado, o que significa que os jogos sujos e podres que circulam nos bastidores não afetam a consolidação de novos acordos, já que circunstâncias financeiras podem remodelar e reforçar os laços multilaterais entre as nações.

Já a professora Maristela Basso atribui um papel mais extremo à organização de Julian Assange no que diz respeito ao seu poder de reorganizar as alianças entre diferentes regiões: “o WikiLeaks é nosso aliado na manutenção da transparência e mostra que o governo nos deve satisfação, por isso, a médio e longo prazos, a diplomacia vai se reinventar”. Tal posição contraditória à teoria de Abdenur deve-se ao fato de a noção de diplomacia do ex-embaixador ser estreita, ligada à sua própria experiência no contexto das relações internacionais.

Foi aberto espaço para perguntas da plateia e diálogo com os palestrantes. Vale destacar a posição de Roberto Abdenur, na política internacional, quanto à continuação do poder de Obama. Conforme salienta, o presidente dos Estados Unidos é da linha moderada e é compreensivo quanto ao fato do poder relativo de seu país estar diminuindo. Outro assunto relevante anunciado por Maristela Basso é o valor do jornalismo brasileiro. Para ela, “o Brasil não precisa do WikiLeaks para mostrar transparência em sua política”, devido à eficácia da imprensa do nosso país. Podemos ver hoje notícias sobre direito internacional nas páginas dos cadernos de maior circulação do Brasil.



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