Jornalista desvela o mundo das celebridades em relatos do cotidiano profissional

Textos que trazem celebridades como tema podem acabar na categoria “mais do mesmo”: repetitivos, óbvios e até um pouco irritantes. Felizmente, há jornalistas competentes, capazes de atribuir toques especiais a matérias que poderiam transbordar futilidade. E que ainda conseguem adicionar a isso tanto aventuras pessoais cotidianas quanto momentos curiosos relacionados à profissão.
Jancee Dunn concilia em seu primeiro livro, Chega de Falar de Mim..., seu primeiro livro, concilia esses dois pontos com bom humor. A escrita é simples e ideal para uma leitura sem compromissos. A autora intercala acontecimentos da vida – ligados à família, amizade, namoros e aos caminhos percorridos no jornalismo – com os momentos mais marcantes da carreira, além de dicas para lidar com celebridades. Estas últimas são, antes de tudo, fontes como outras quaisquer – e não apenas estrelas do cinema ou da música.
Ao mesmo tempo em que desconstrói o glamour no jornalismo, presente no imaginário de muitos; a autora também alimenta as esperanças de jovens repórteres. O primeiro trabalho de Jancee como jornalista foi na revista Rolling Stone, na década de 80. A revista proporcionou um contato próximo com a realidade do meio artístico, levando-a também ao programa Good Morning America e ao canal televisivo MTV2, onde trabalhou como VJ.
Em poucas palavras, Dunn consegue acabar com a idealização das celebridades por parte dos fãs: apesar da fama e dos incontáveis admiradores, elas são extremamente rudes. Por outro lado, a autora tenta desfazer conceitos reforçados – os quais considera um tanto equivocados - por muitos colegas de profissão.
É o caso, por exemplo, de Christina Aguilera. A jornalista diz não entender o porquê da fama de antipática atribuída à cantora no início da carreira. E em sua defesa, ao elogiar a moça, acrescenta: "Christina Aguilera é a nova Cher, pense nisso! Vamos ser legais…"
Cada episódio não passou de um mero momento de trabalho para a Dunn, mas deixa até mesmo quem não tem ligação com a profissão com uma pontada de inveja. Afinal, quem não gostaria de presenciar Brad Pitt tocando air guitar ou de ser confundida como a nova namorada de Ben Affleck?
A escrita, apesar de descompromissada, traz dicas muito úteis jornalistas iniciantes – tanto para conduzir bem uma entrevista, quanto para tentar obter alguma informação importante. E ainda tenta incentivar – sem soar como autoajuda – a não desistir perante as primeiras dificuldades, utilizando, para tanto, exemplos vividos por ela.
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