O curador da maior festa literária do país, que acontece na próxima semana, fala sobre seu trabalho à frente do evento
De 6 a 10 de julho, as ruas da histórica Paraty, localizada no litoral fluminense, serão tomadas pela literatura. É nesse período que ocorre 9ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip),evento consagrado como um dos principais do gênero por unir grandes autores e plateia entusiasmada ao cenário paradisíaco da cidade-sede.
O curador desta edição é o jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto, que já havia participado como colaborador do evento, em 2008, e como repórter pelo programa Entrelinhas, exibido na TV Cultura e do qual é editor-chefe.
Manuel conta que essa mudança de papéis significou um aumento considerável de trabalho, o qual “constitui-se, basicamente, de uma interlocução com o meio literário – editoras, agentes e jornalistas”, a fim de descobrir “quais eram os autores que poderiam ter uma repercussão e compor uma grade instigante para o público que vai a Paraty”.
Para o jornalista, seus esforços se deram no sentido de tornar a Festa linguisticamente mais democrática, ao equilibrar o número de autores brasileiros e estrangeiros visando à “maior variedade possível de nacionalidades e tradições lingüísticas da literatura”.
Resgatar importância do homenageado da 9ª Flip, Oswald de Andrade, também foi um dos principais objetivos desta curadoria. Manuel acredita ser fundamental a obra do autor modernista para a compreensão da cultura nacional, não só por ele ter realizado os valores preconizados pela Semana de Arte Moderna de 22, mas pelas ideias desenvolvidas em seu Manifesto Antropófago, de 1928. “A antropofagia é considerada por muitos críticos e pensadores da cultura brasileira como o pensamento mais original que já se produziu sobre essa múltipla identidade cultural que nos temos no Brasil”, afirma.
Aos iniciantes na Festa, o curador sugere um roteiro que mescle escritores nacionais e brasileiros, além das mesas sobre Oswald de Andrade, “que podem ser bastante produtivas no sentido que oferecem um contraponto com as de autores contemporâneos”. Isto é, a ideia é que o visitante atualize seus conhecimentos de literatura, tanto no que diz respeito à produção atual quanto às reflexões correntes sobre “um autor incontornável, que todo mundo tem a deliciosa obrigação de conhecer”.
Ouça abaixo a entrevista de Manuel da Costa Pinto na íntegra, sobre sua experiência como curador da 9ª Flip e os destaques da programação:
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