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01/07/2011 - 19h53 - Atualizado em 22/05/2012 - 14h47

A causa da febre

Itamar Montalvão, 1º ano de Jornalismo

Como um artigo da New York Magazine resultou em um filme de sucesso

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New York Magazine
Capa da revista americana que
trouxe o artigo de Nik Cohn

Há filmes bons. Há filmes ótimos. Há filmes excelentes. E há os que capturam o comportamento de toda uma geração, definindo as seguintes. Estes são os clássicos. É o caso de Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977), o hoje cult movie escrito por Norman Wexler e dirigido por John Badham.

O filme, lançado nos Estados Unidos para o Natal de 1977, tomou o mundo de assalto ao longo do ano seguinte de uma maneira totalmente inesperada por seus idealizadores. Concebido originalmente para ser um drama social, fez da discoteca (um fenômeno que já vinha sendo construído desde o início da década) um marco eterno da cultura de massa e alçou um obscuro John Travolta e uma desconhecida banda de três irmãos australianos, os Bee Gees, ao posto de ícones pop.

A história, bem, todo mundo conhece. Garoto pobre do Brooklyn vê que a única chance de ser socialmente percebido é sendo "o rei" de uma pista de dança. Entretanto, o que pouca gente sabe é que a idéia para o roteiro de um filme surgiu quando Wexler leu um artigo escrito pelo britânico Nik Cohn para a New York Magazine. O texto, cujo título era Tribal Rites of the New Saturday Night (algo como “Os Ritos Tribais da Nova Noite de Sábado”), foi publicado no dia 7 de junho de 1976 e tratava do comportamento da juventude da periferia de Nova York nos anos 70.

“Periferia” porque, naquela época, Nova York significava basicamente Manhattan. Todos os jovens dos outros quatro distritos (Brooklyn, Bronx, Queens e Staten Island) viviam em um verdadeiro limbo social. Era um período de recessão, que Jimmy Carter logo teria que resolver. Sem ligar para os ideais hippies dos anos 60, quando o dinheiro jorrava e era fácil assumir riscos, esses jovens trabalhavam duro, estudavam quando podiam e tinham na noite de sábado a sua redenção.
Nik conta a história de Vincent (que no filme virou “Tony”), um jovem de 19 anos, dono de catorze camisas de estampas florais, cinco ternos e oito pares de sapato. Era o melhor dançarino do bairro e pessoas da cidade inteira vinham vê-lo dançar. Quando botava os pés na pista, todos abriam espaço com reverência. Um filme inteiro em um artigo de revista, até o personagem principal.

Vinte anos depois de publicado, Nik Cohn admitiu em entrevista que o texto de seu famoso artigo foi totalmente inventado. Ele tinha acabado de chegar a Nova York e precisava de uma boa história para começar sua carreira de escritor na cidade. Com seu artigo e toda a repercussão em torno dele, deu origem ao que depois ficou conhecido como fake journalism, se é que isso pode existir.

O fato, meu caros, é que – inventado ou não – o texto foi a centelha que causou uma verdadeira revolução mundial. Se hoje você se arruma todo num sábado à noite para sair com seus amigos, ouvir música e dançar, agradeça a ele.

Para os que quiserem ler, o artigo original está aqui: http://nymag.com/nightlife/features/45933/



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