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21/06/2011 - 16h52 - Atualizado em 23/05/2012 - 07h47

“Na publicidade, o que é incrível hoje, amanhã se torna obsoleto”

Natalí Coelho Pina, 2º ano de Jornalismo

Leia a entrevista com o publicitário Felipe Cirino, que vai representar o Brasil no Festival de Publicidade de Cannes

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Felipe Cirino Chinellato tem 26 anos, é redator publicitário formado na Cásper Líbero e um dos escolhidos para representar o Brasil como Young Lion em Cannes neste ano. Em entrevista concedida à Cásper, ele conta sobre a carreira, os trabalhos e as expectativas para o maior evento criativo do ano.

Portfólio Felipe Cirino
Campanhas de sucesso tiveram a autoria de Cirino,
como as da Cultura Inglesa, Marie Claire e ACM.

Veja aqui o portfólio do Felipe Cirino

Você foi eleito como Young Lion na categoria Film. Como é atuar nessa área e conciliá-la numa agência digital?

Trabalho na Media Contacts/Havas Digital há três anos e três meses e tive passagens anteriores pela JWT e Rái Comunicação. Sempre trabalhei como redator, mas na área offline. A oportunidade de trabalhar na Media Contacts veio em um momento no qual a área de internet estava crescendo absurdamente e surgindo cada vez mais projetos digitais interessantes e criativos. Vim para Media Contacts com esse objetivo: conviver, criar e aprender mais sobre o trabalho online.

Quando entrei, a agência era unicamente digital. Mas por eu ter sempre trabalhado com offline, propunha muitas idéias que envolviam mídias tradicionais, ações na rua, filmes, entre outros. E hoje, cerca de três anos depois, a agência trabalha como full service, atendendo todos os tipos de demanda. Acredito que tive uma participação nisso propondo projetos fora da área digital. Mas, sem dúvida nenhuma o maior responsável por essa mudança foi o próprio mercado, que está deixando de classificar ou especificar um trabalho por mídia e se preocupando muito mais com a ideia. Resumindo, minha área de atuação hoje continua sendo redator, mas de qualquer mídia que seja possível se ter uma idéia. Pode ser um filme, um anúncio de página dupla, um hotsite, um aplicativo pra celular e por aí vai.

Como redator, sou responsável pela criação das campanhas. O que procuro fazer é participar, estar sempre muito perto, envolvido também na produção, para conseguirmos um resultado bacana.

Qual é o papel dos Young Lions em Cannes?

Fui eleito Young na categoria Film e vou participar de uma competição em Cannes representando o Brasil. Eu e o diretor de arte Manu Mazzaro. Será divulgado um briefing (quase sempre relacionado a alguma causa social) e temos 48 horas para fazer um filme com um celular. Criar o roteiro, filmar, editar e entregar tudo nesse espaço curto de tempo. Disputamos com duplas do mundo inteiro que são premiados com Ouro, Prata e Bronze. Especificamente na categoria Film, o Brasil nunca ganhou. Então temos uma pressão, que é até boa, pois temos a chance de abrir as portas da categoria e, quem sabe, trazer essa conquista para o país. Além disso, antes e depois da competição, iremos acompanhar todas as premiações e palestras do evento.


Cannes costuma ser um sonho, mas um sonho distante. Quando estava estudando, já passou pela sua cabeça que de fato iria para Cannes logo no começo de sua carreira?

Quando entramos na faculdade, muita coisa do mercado que você esperava ser de um jeito acaba revelando-se totalmente o contrário. Por isso que, no primeiro ano de qualquer faculdade de publicidade, 90% dos alunos desejam trabalhar na criação de alguma agência. Mas percebem que o caminho não é tão simples. É necessário portfólio e é preciso se virar em softwares criando os primeiros layouts para conseguir um estágio que paga menos que o valor da sua mensalidade na faculdade. A esmagadora maioria desiste e parte para alguma área que é, digamos, mais “recompensadora”. Mas quem está disposto a tudo isso, monta uma pasta, pesquisa, corre atrás, porque realmente sonha e deseja mesmo trabalhar com criação. E quem tem esse desejo naturalmente acaba desejando também conhecer o Festival de Cannes, e o quanto antes. 

Quais trabalhos ou clientes mais marcaram a sua carreira?

Creio que os mais marcantes acabam sendo aqueles que os clientes confiam no trabalho e dão bastante autonomia para a criação do projeto e a produção dele. Dessa forma, sempre temos bons resultados, tanto para agência como para os criativos e os clientes. Dos filmes mais recentes, os filmes “Hipnose”, para divulgar o Young Lions, e “Elevador”, para o SOS Fauna, foram os que tiveram mais repercussão e, consequentemente, se tornaram motivo de orgulho para todos que trabalharam nos projetos.

Você já entrou na faculdade pensando em trabalhar como redator?

Não exatamente. Tinha muito interesse em criar filmes, anúncios. Mas precisava entender melhor o mercado para saber se me encaixaria melhor criando, produzindo, fotografando e escrevendo. Mas como sempre gostei de escrever sobre todos os assuntos, já no primeiro ano percebi que redator seria uma área interessante.


Cannes é um marco na carreira de qualquer publicitário e muitas portas se abrem. Quais os seus projetos futuros?

Soa até clichê, mas na nossa área [publicidade] o que é incrível hoje, amanhã se torna obsoleto. E com as mídias novas, espaço no qual as formas diferentes de fazer propaganda surgem rapidamente, esse clichê nunca foi tão verdadeiro. Então meu objetivo é continuar tentando realizar um trabalho que fuja um pouco do padrão publicidade, com ideias que não sigam algumas fórmulas criadas pelo próprio mercado. E, para isso, eu só fui estudando, aprendendo, pesquisando, acertando e errando. Resumindo: continuar trabalhando muito.

Quando você fazia faculdade, corria atrás de assistir a palestras e cursos, workshops e todos os auxílios possíveis ao estudante? Ou fazia no improviso e sempre dava certo?

Qualquer tipo de informação é válido para criar. Às vezes, uma palestra sobre física nuclear pode ser material para uma idéia em propaganda. Então, na faculdade participei e acompanhei grande parte das palestras e eventos promovidos, até mesmo os que não eram da nossa área.



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