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20/06/2011 - 11h45 - Atualizado em 23/05/2012 - 16h46

Terror em um só take

Por Camila Smid, aluna do 1º ano de Publicidade e Propaganda

Gravado com câmera fotográfica, longa “A Casa” mostra ousadia na produção

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Reprodução

A iluminação acentua o clima de suspense da obra

A proposta é convidativa: "Primeiro longa-metragem filmado com máquina fotográfica". Mas o seu grau de atração se equipara ao de expectativa quando se fala num filme feito em plano único e tempo real, especialmente quando tomamos por referência tantas outras obras já conhecidas por nós e que, de uma forma ou de outra, com esta mesma fórmula nem sempre agradavam tanto quanto deveriam.

Por isso que A Casa, de Gustavo Hernández, é um filme que vale arriscar: a ideia gasta de usar o plano único e a filmagem em primeira pessoa para representar uma personagem foi descartada neste longa. Aqui, câmera é narrador, e em momento algum ele influencia ou participa na trama, o que a torna mais íntima e mais real do que nunca.

A obra conta brevemente como um rapaz requisita a presença de um profissional para reformar uma casa que está à venda. Durante o longa, a história vai se desenrolando até que se percebe quais são as relações existentes entre as três personagens. A protagonista, uma jovem chamada Laura (Florencia Colucci), é quase sempre o foco da filmagem, e toda a trama se desenvolve a partir do ponto de vista dela. Aos poucos, nota-se o quanto ela é muito mais do que apenas uma jovem assustada numa casa mal-assombrada.

Um único take de 78 minutos, e o filme já expõe uma situação arriscada. Devido à forma com que fora produzido, os truques usados para causar o suspense - que beira o terror - durante a maior parte do longa são deveras convincentes. O clima é todo moldado por uma iluminação muito bem elaborada, trilha sonora essencial para a formação da ambiência de mistério, bom posicionamento e movimento da câmera.

Os diálogos vão se tornando cada vez mais raros conforme o filme continua, e só voltam a aparecer no final, dando veracidade à ideia de que a personagem estaria sozinha, e não falando com uma câmera. Em suma, apresentar essa obra a um leigo em cinema que deseja simples e puro entretenimento é uma forma sedutora de receber inúmeros elogios.

Mas há alguns poréns que devem ser levados em consideração. O longa apresenta pequenos erros de continuidade que poderiam ser facilmente evitados, mas não influenciam na qualidade do mesmo. Além disso, o que mais preocupa àqueles que saem da sala de cinema se deve ao fato da trama se desenvolver de uma forma bastante convincente até que o mistério do filme seja revelado, próximo do final. Final e mistério estes que, se colocados lado a lado com o resto da trama, não fazem sentido.

Por fim, as duas personagens coadjuvantes não apresentam nenhum tipo de profundidade de comportamento, agindo meramente como agregados do cenário que precisavam estar ali para que a protagonista pudesse agir.

Talvez todos esses aspectos considerados aqui fossem, de alguma forma, propositalmente colocados pelo diretor e por sua equipe para que o longa funcionasse como deveria. Uma coisa é fato: A Casa é uma ótima proposta, mas alguns detalhes fazem com que ele seja apenas um bom filme.



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